Inflação em Angola abranda pelo 23.º mês consecutivo e fixa-se em 10,11%

Data:

Taxa homóloga registada em Junho é a mais baixa desde 2015, segundo o Instituto Nacional de Estatística
Desaceleração reforça tendência de estabilização dos preços, embora inflação mensal tenha acelerado ligeiramente

A taxa de inflação homóloga em Angola abrandou para 10,11% em Junho, face aos 10,88% registados em Maio, assinalando o 23.º mês consecutivo de desaceleração e o nível mais baixo desde 2015, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN), a inflação continua a perder intensidade desde Agosto de 2024, quando iniciou a actual trajectória descendente. Em termos homólogos, a taxa caiu 9,62 pontos percentuais em comparação com Junho de 2025, quando se situava em 19,73%.

Apesar da redução da inflação anual, a variação mensal dos preços acelerou ligeiramente. Em Junho, o IPCN aumentou 0,56%, acima dos 0,41% observados em Maio, indicando que os preços continuaram a subir, embora a um ritmo inferior ao registado há um ano

Segundo o INE, as classes de bens e serviços que mais contribuíram para a variação mensal foram alimentação e bebidas não alcoólicas, restaurantes e hotéis, bens e serviços diversos, saúde e vestuário e calçado. Estes sectores continuam a exercer maior pressão sobre o custo de vida das famílias angolanas, apesar da desaceleração global da inflação.

Economistas apontam que a estabilidade relativa do kwanza, uma política monetária mais restritiva do Banco Nacional de Angola (BNA) e uma menor pressão sobre os preços dos bens importados têm contribuído para a redução gradual da inflação. Ainda assim, alertam que factores externos, como oscilações nos preços internacionais dos alimentos e dos combustíveis, continuam a representar riscos para a evolução dos preços no país.

A manutenção da trajectória descendente da inflação constitui um sinal positivo para a economia angolana, podendo favorecer o poder de compra das famílias e criar condições para uma maior estabilidade macroeconómica. Contudo, a inflação permanece acima do objectivo de um dígito perseguido pelas autoridades monetárias, que continuam a acompanhar a evolução dos preços e dos factores de risco internos e externos.

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