BODIVA estreia alocação por patamares na Unitel e altera as regras da distribuição de acções em Angola

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Modelo por rondas sucessivas serve primeiro as ordens mais pequenas e reserva o corte para os grandes investidores. Em 2025, na venda do BFA, o rateio proporcional reduziu todas as ordens contempladas a menos de um quinto do pedido.

A distribuição das acções da Unitel segue um modelo por patamares que assegura acções às ordens mais pequenas, ao contrário do rateio proporcional aplicado na OPV do BFA.

Caso a procura supere a oferta, as 7,5 milhões de acções serão distribuídas por rondas sucessivas, segundo o anúncio de lançamento aprovado pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC). As ordens são servidas por patamares acumulados — até 100, até 1.250, até 10.000, até 75.000, até 200.000 e, por fim, até ao limite máximo permitido —, e cada patamar é satisfeito na íntegra antes de se passar ao seguinte. O rateio proporcional só entra na ronda em que as acções deixam de chegar para todas as ordens, recorrendo-se a sorteio nos arredondamentos. Para impedir a fragmentação de pedidos, todas as ordens de um mesmo investidor são somadas a partir do número de identificação fiscal (NIF).

A diferença face à operação anterior é substancial. Na OPV do Banco de Fomento Angola (BFA), concluída em Setembro de 2025, a procura superou em mais de cinco vezes a oferta e aplicou-se um rateio proporcional único a todas as ordens que igualaram o preço final. O resultado foi um rácio de alocação de 19,81%: mesmo as ordens contempladas — 10.133 das 11.006 submetidas — receberam menos de um quinto das acções pedidas. No modelo da Unitel, uma ordem pequena que naquele desenho seria cortada para cerca de 20% tende, agora, a ser satisfeita por inteiro.

A operadora reduziu também a barreira de entrada. Enquanto na tranche do público em geral do BFA cada investidor tinha de pedir, no mínimo, cinco acções, na OPV da Unitel a ordem mínima é de uma acção. Os dois ajustes — patamares na distribuição e mínimo de uma acção — apontam no mesmo sentido, o de alargar a base de accionistas e dispersar o capital.

O oferente apresenta o modelo como um passo para maior equidade. Segundo o presidente do IGAPE, Álvaro Fernão, o mecanismo assenta na atribuição por rondas sucessivas e em níveis acumulados de acções, com o objectivo de promover maior dispersão do capital e um acesso mais equitativo entre investidores. Os promotores da operação descrevem-no como uma novidade no mercado angolano, importada de outras geografias; enquanto afastamento face ao rateio proporcional do BFA, a mudança está documentada.

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