Arrecadação do sector caiu para 3,21 mil milhões de kwanzas, menos 1,44 mil milhões do que em Abril. Jogos de fortuna ou azar afundaram 76,1 por cento e devolveram quase todo o ganho do mês anterior
A receita cobrada ao sector dos jogos de apostas em Angola caiu 30,9 por cento em Maio, para 3,21 mil milhões de kwanzas, devido sobretudo à quebra nos casinos.
Em valores exactos, a arrecadação total do Instituto de Supervisão de Jogos passou de 4.653.730.131 kwanzas em Abril para 3.211.556.500 kwanzas em Maio, uma diferença de 1.442.173.631 kwanzas num único mês. O Instituto de Supervisão de Jogos, organismo do Ministério das Finanças responsável por fiscalizar a actividade dos jogos no país, divulgou estes números na nona edição do seu boletim informativo, referente a Maio de 2026.
A quebra de Maio anula, na prática, a subida registada em Abril. Nesse mês, a receita do sector tinha mais do que duplicado, ao crescer 111,6 por cento, impulsionada por uma subida extraordinária dos jogos de fortuna ou azar — a modalidade praticada em casinos e salas de máquinas. Em Maio, é precisamente essa modalidade que puxa a arrecadação para baixo.
A receita dos jogos de fortuna ou azar caiu 76,1 por cento entre Abril e Maio, recuando de 1.657.118.056 para 396.365.173 kwanzas. O recuo mais acentuado verificou-se no imposto cobrado sobre a receita bruta destes jogos, que diminuiu quase 98 por cento, passando de 1.333.775.526 para 27.058.899 kwanzas.
O boletim do Instituto de Supervisão de Jogos não explica a origem desta variação, tal como não tinha explicado, no mês anterior, o salto de 692,7 por cento que levara a mesma modalidade a multiplicar a sua receita por sete em Abril. Os dados disponíveis mostram, assim, um movimento de subida e descida concentrado nos jogos de fortuna ou azar em dois meses consecutivos, sem que o regulador tenha indicado a causa.
Ao contrário dos casinos, os jogos sociais de base territorial — que incluem modalidades como lotarias e raspadinhas — mantiveram-se praticamente estáveis, com uma ligeira descida de 1,9 por cento, para 2.628.323.550 kwanzas. Foi esta modalidade que sustentou a arrecadação do mês. Já os jogos remotos em linha, ou seja, as apostas feitas pela internet, caíram 57,8 por cento, para 120.397.902 kwanzas.
Com o recuo dos casinos, o peso dos jogos sociais de base territorial na receita aumentou de forma expressiva. Esta modalidade, que em Abril representava cerca de 58 por cento da arrecadação fiscal, passou a pesar 84 por cento em Maio, segundo os dados do boletim. Os jogos de fortuna ou azar recuaram para 13 por cento e os jogos remotos em linha para 3 por cento.
Quase toda a quantia cobrada em Maio teve origem nos impostos pagos pelos operadores. Esta componente, designada por receita fiscal, somou 3.175.556.500 kwanzas e correspondeu a 99 por cento do total arrecadado, embora tenha recuado 31,4 por cento face a Abril. A restante parcela, chamada receita parafiscal — que resulta de pagamentos como multas, coimas, autorizações e taxas de jogos ocasionais —, cresceu 24,1 por cento, para 36 milhões de kwanzas, mas representou apenas 1 por cento do total.
A evolução de Maio confirma a forte oscilação da receita do sector ao longo de 2026. Segundo o boletim, a arrecadação variou -25 por cento em Janeiro, +24 por cento em Fevereiro, -23 por cento em Março e +111 por cento em Abril, antes da queda de Maio. Em quatro dos primeiros cinco meses do ano, a variação mensal superou os 20 por cento, em sentido ascendente ou descendente.
O Instituto de Supervisão de Jogos, criado para regular e fiscalizar o sector, tem reforçado a sua presença em várias províncias e mantém campanhas de combate ao jogo ilegal e de incentivo ao jogo responsável.





