Exportações de diamantes lapidados de Angola duplicam com aumento de 126% em volume

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SODIAM registou 23,3 mil quilates exportados em 2025 avaliados em US$ 109,7 milhões, reflectindo crescimento de 107% no valor apesar de queda de preços no mercado internacional.

As exportações de diamantes lapidados de Angola atingiram 23,3 mil quilates entre Janeiro e Dezembro de 2025, avaliados em US$ 109,7 milhões, segundo comunicado divulgado pela SODIAM – Empresa Nacional de Comercialização de Diamantes a 23 de Janeiro.

Os resultados reflectem aumento de 126,5% no volume exportado e crescimento de 107% no valor comparativamente ao mesmo período de 2024, apesar de queda de 8,6% no preço médio por quilate, que se fixou em US$ 4.705,74.

A SODIAM atribui a redução de preços à “actual conjuntura do mercado internacional, caracterizada pelo crescimento contínuo da procura por diamantes sintéticos e pelo excesso de oferta de diamantes lapidados de origem natural”.

A empresa afirma que o preço médio registado “reflecte a elevada qualidade dos diamantes brutos lapidados, caracterizados por padrões superiores de pureza, tamanho e valor no mercado internacional”.

O desempenho do sector foi fortemente influenciado pela subida de 176% na quantidade de diamantes lapidados exportados pela empresa indiana KGK, factor identificado pela SODIAM como determinante para o aumento global do volume e da receita.

O volume de diamantes brutos adquiridos pelas fábricas locais para processamento atingiu 62,5 mil quilates avaliados em aproximadamente US$ 104 milhões, representando incremento de 67,6% no volume e 69,6% no valor face a 2024.

A SODIAM reconhece que a indústria apresenta “desempenho ainda modesto das restantes fábricas de lapidação que apresentam capacidades de produção em menor escala”, identificando complexidade técnica, financeira e logística como principais desafios.

A empresa destaca que cada ciclo de rotação de capital na indústria de lapidação pode durar entre três e cinco meses, constituindo “factor adicional de pressão sobre a gestão e o desempenho operacional das fábricas”.

A SODIAM afirma que a estratégia de concessão de incentivos adoptada para a indústria de lapidação “tem sido fundamental para a manutenção desta actividade, que contribui igualmente para a criação de postos de trabalho directos e indirectos”.

O comunicado não especifica o número de postos de trabalho criados nem detalha a distribuição geográfica das fábricas de lapidação em operação no país.

Indústria diamantífera angolana
Angola é terceiro maior produtor de diamantes de África, atrás da Botswana e África do Sul. A produção concentra-se nas províncias da Lunda Norte e Lunda Sul, com operações da ENDIAMA (empresa estatal) e concessionárias privadas incluindo sociedades mineiras com participação de grupos internacionais.

Mercado internacional de diamantes
O sector enfrenta pressão de diamantes sintéticos (produzidos em laboratório) que registam crescimento de procura devido a preços inferiores e preocupações ambientais. Organizações internacionais como Kimberley Process certificam origem de diamantes naturais para prevenir comércio de “diamantes de conflito”.

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