Ataques russos deixam centenas de milhares de famílias sem electricidade na Ucrânia enquanto drones ucranianos atingem instalações na Rússia

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Os bombardeamentos russos atingiram infra-estruturas energéticas em quatro regiões ucranianas, provocando cortes de electricidade em centenas de milhares de habitações. Em resposta, a Ucrânia reivindicou ataques contra uma fábrica ligada à produção de mísseis na região russa de Rostov, enquanto Moscovo confirmou danos significativos numa instalação industrial após uma ofensiva com drones.

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia voltou a intensificar-se no domingo, 1 de Novembro, com ataques aéreos contra infra-estruturas energéticas e instalações industriais dos dois países. Os bombardeamentos russos deixaram centenas de milhares de famílias ucranianas sem electricidade, enquanto as autoridades russas comunicaram danos significativos numa instalação industrial na região de Nijni Novgorod, na sequência de um ataque com drones.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que as forças russas atingiram infra-estruturas energéticas em quatro regiões durante a noite, incluindo subestações, transformadores e linhas de transmissão eléctrica.

Segundo o governante, os ataques afectaram as regiões de Dnipro, Vinnytsia, Zhytomyr e Khmelnytsky, deixando um elevado número de habitações sem fornecimento de energia.

As equipas de reparação foram mobilizadas para restabelecer o serviço, mas centenas de milhares de famílias continuavam sem electricidade no momento da divulgação das informações.

Rússia intensifica ataques contra infra-estruturas energéticas

Zelensky afirmou que a intensidade dos bombardeamentos russos continua elevada e acusou Moscovo de aproveitar a escassez de interceptores de mísseis balísticos na Ucrânia para aumentar a pressão sobre as defesas aéreas do país.

De acordo com o Presidente ucraniano, durante a semana anterior, a Rússia lançou aproximadamente 1.940 drones de ataque, mais de 1.580 bombas aéreas guiadas e 44 mísseis de diferentes tipos contra território ucraniano. Deste último grupo, 36 seriam mísseis balísticos.

A ofensiva de domingo voltou a demonstrar a importância das infra-estruturas energéticas no conflito. Centrais, subestações e linhas de transmissão são essenciais para o funcionamento de hospitais, sistemas de abastecimento de água, transportes e instalações industriais.

A aproximação do Inverno aumenta a preocupação das autoridades ucranianas, uma vez que os danos prolongados na rede eléctrica podem deixar milhões de pessoas vulneráveis a temperaturas baixas e comprometer o funcionamento de serviços essenciais.

Ucrânia reivindica ataque contra fábrica ligada à produção de mísseis

Enquanto as forças russas atingiam infra-estruturas energéticas ucranianas, Kiev anunciou ter realizado um ataque contra a fábrica de Kamensky, localizada na região russa de Rostov.

Segundo Zelensky, a instalação está envolvida na produção de mísseis utilizados pelas forças russas. O Presidente não apresentou, na sua declaração, uma avaliação completa dos danos provocados pelo ataque.

A ofensiva contra a unidade de Kamensky tinha sido igualmente reivindicada pelas forças ucranianas no sábado. O Exército da Ucrânia afirmou que a operação envolveu drones e sistemas de mísseis costeiros Neptune.

As autoridades militares ucranianas indicaram que um incêndio num armazém de produtos acabados foi confirmado e que quatro oficinas de produção sofreram danos.

A unidade é apontada como produtora de combustível sólido para foguetes utilizados em diferentes sistemas de armamento russos, o que a torna relevante para a cadeia de abastecimento militar de Moscovo.

A Rússia não comentou especificamente o ataque à fábrica de Kamensky.

Instalação industrial atingida na região de Nijni Novgorod

Separadamente, as autoridades russas comunicaram danos significativos numa instalação industrial na região de Nijni Novgorod, após um ataque de drones durante a noite.

O governador regional, Gleb Nikitin, confirmou a ocorrência e descreveu a ofensiva como um ataque de grande dimensão. No entanto, não identificou publicamente a instalação atingida nem confirmou a natureza exacta dos danos.

A região alberga a refinaria de petróleo NORSI, uma das maiores unidades de processamento de petróleo da Rússia. A proximidade desta infra-estrutura com a zona afectada levantou questões sobre a possibilidade de o ataque ter atingido instalações relacionadas com o sector energético.

O governo regional anunciou medidas para garantir o abastecimento de combustível nos postos de abastecimento e aconselhou os automobilistas a comprarem apenas o necessário, evitando compras motivadas pelo pânico.

A recomendação sugere preocupações com possíveis perturbações no abastecimento de combustíveis, embora as autoridades não tenham confirmado que a refinaria NORSI tenha sido atingida.

A Ucrânia também não reivindicou imediatamente a responsabilidade pelo ataque à instalação de Nijni Novgorod.

Centenas de drones utilizados durante a noite

Os dois países divulgaram números elevados de drones utilizados e interceptados durante a ofensiva.

O Ministério da Defesa russo afirmou que as suas forças de defesa aérea destruíram 235 drones ucranianos durante a noite, distribuídos por diferentes regiões do país.

Do lado ucraniano, a Força Aérea afirmou ter abatido 371 dos 433 drones de longo alcance lançados pela Rússia desde sábado à noite.

No entanto, dezenas de aparelhos continuavam no ar durante a manhã de domingo, segundo a actualização militar ucraniana. A capital, Kiev, também registou seis alertas separados de ataque com drones desde a meia-noite.

Os números divulgados pelos dois governos não puderam ser verificados de forma independente e reflectem as informações apresentadas pelas respectivas autoridades militares.

Ataques a refinarias aumentam preocupações com o abastecimento de combustível

Os ataques contra instalações petrolíferas russas têm sido uma componente importante da estratégia ucraniana para atingir infra-estruturas que contribuem para a economia e para o esforço militar de Moscovo.

Na sexta-feira, a Rússia acusou a Ucrânia de retomar os ataques contra as suas refinarias e afirmou que Kiev estaria a ignorar um pedido do Presidente norte-americano, Donald Trump, para interromper essas operações.

Trump relacionou anteriormente os ataques às instalações petrolíferas russas com o aumento dos custos do gasóleo nos Estados Unidos, numa altura em que o país se aproxima das eleições intercalares.

O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, responsável pela supervisão do sector energético, afirmou no domingo que os ataques ucranianos às refinarias russas estavam a contribuir para desequilíbrios no mercado mundial de combustíveis e a afectar os preços.

Novak não comentou directamente os danos comunicados na região de Nijni Novgorod.

A preocupação com o abastecimento energético não se limita à Rússia. A Ucrânia também enfrenta dificuldades para manter a sua rede eléctrica operacional, depois de sucessivas campanhas de ataques russos contra centrais e infra-estruturas de distribuição.

Cessar-fogo local termina sem reduzir os combates

A intensificação dos ataques ocorreu no último dia de um cessar-fogo local de seis dias em torno da cidade de Oleshky, no sul da Ucrânia, actualmente sob controlo russo.

A trégua permitiu a realização de uma operação humanitária para retirar civis da região, com a saída de residentes que pretendiam deslocar-se para território controlado por Kiev.

A operação foi mediada pela primeira-dama norte-americana, Melania Trump, e as autoridades dos dois países afirmaram que a evacuação foi concluída.

Apesar da pausa nos combates naquela área específica, não houve uma redução generalizada da actividade militar ao longo da linha da frente. Os ataques de longo alcance continuaram a atingir instalações e infra-estruturas nos dois países.

A situação demonstra os limites dos acordos locais de cessar-fogo, que podem permitir operações humanitárias específicas sem necessariamente alterar a dinâmica militar do conflito.

Infra-estruturas energéticas continuam no centro da guerra

Os acontecimentos de domingo evidenciam a crescente importância das infra-estruturas energéticas e industriais na estratégia militar de ambos os lados.

A Rússia continua a atacar a rede eléctrica ucraniana, enquanto Kiev procura atingir instalações russas associadas à produção de armamento, ao processamento de petróleo e ao abastecimento energético.

Para a população ucraniana, os cortes de electricidade representam uma ameaça imediata ao funcionamento dos serviços essenciais, sobretudo com a aproximação do Inverno. Para a Rússia, os ataques contra instalações industriais e petrolíferas podem criar dificuldades na produção militar e no fornecimento de combustíveis.

Apesar dos esforços diplomáticos e da realização de tréguas localizadas, os ataques continuam a ocorrer em diferentes regiões, sem sinais de uma interrupção abrangente das operações militares.

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