Icolo e Bengo, Moxico Leste e Cuando não dispõem de indicador próprio de inflação; a nota de imprensa não esclarece se foram agregadas às províncias de origem ou excluídas do apuramento. O mesmo instituto já publica os resultados definitivos do Censo 2024 desagregados pelas 21 províncias em vigor
O Índice de Preços no Consumidor Nacional de Julho apresenta variações de preços para 18 províncias, dezoito meses depois de entrar em vigor a divisão que elevou o país a 21.
Os dados provinciais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística mostram uma amplitude de 7,09 pontos percentuais entre os extremos do país. Cabinda registou a variação homóloga mais elevada, de 13,09 por cento, seguida de Malanje, com 12,01 por cento, e da Lunda Sul, com 11,40 por cento. No extremo oposto situam-se o Cuanza Norte, com 6,00 por cento, o Huambo, com 6,59 por cento, e o Cunene, com 6,86 por cento. Seis das dezoito províncias representadas mantêm variações de dois dígitos, acima da média nacional de 9,33 por cento. A nota identifica pela designação apenas estas seis províncias, apresentando as restantes doze exclusivamente em gráfico.
O número de unidades territoriais representadas não corresponde, porém, à organização administrativa do país. A Lei n.º 14/24, de 5 de Setembro, estabeleceu uma nova divisão político-administrativa com 21 províncias, 326 municípios e 378 comunas, em vigor desde 1 de Janeiro de 2025. Dessa reorganização resultaram a província de Icolo e Bengo, destacada de Luanda, a de Moxico Leste, destacada do Moxico, e a separação do antigo Cuando Cubango em duas províncias, Cubango, com sede em Menongue, e Cuando, com sede em Mavinga.
A nota de imprensa do IPCN não faz qualquer referência a esta alteração. Não é indicado se os territórios das novas províncias continuam agregados às províncias de origem para efeitos de cálculo do índice, se são apurados separadamente sem divulgação, ou se estão excluídos da recolha. Na prática, três das 21 províncias do país não dispõem de um indicador oficial de evolução de preços que lhes seja próprio, ainda que o Orçamento Geral do Estado já as considere como unidades autónomas de despesa desde o exercício de 2025.
O desfasamento não decorre de o instituto não ter meios para operar com a nova geografia. O próprio INE apresentou a 20 de Novembro de 2025 os resultados definitivos do Recenseamento Geral da População e Habitação de 2024, com relatórios provinciais próprios para as unidades criadas pela nova divisão, incluindo Cuando e Cubango. O censo apurou uma população residente de 36.604.681 habitantes, mais 10.815.656 do que em 2014, o que corresponde a um crescimento médio anual de 3,5 por cento no período intercensitário.
A estrutura do índice de preços é, contudo, anterior a ambos os processos. Os ponderadores e o cabaz em vigor resultam do Inquérito sobre Despesas e Receitas realizado em 2018 e 2019, concebido sobre a divisão de 18 províncias então vigente, e a base do índice fixa-se em Dezembro de 2020. O INE não anunciou publicamente calendário para a revisão da cobertura territorial do IPCN.
A nova divisão político-administrativa foi aprovada pela Assembleia Nacional em Agosto de 2024, com votos favoráveis do MPLA e oposição da UNITA, que reclamava a realização de eleições autárquicas. O diploma foi publicado em Diário da República a 5 de Setembro de 2024 e entrou em vigor a 1 de Janeiro de 2025, elevando o número de municípios de 164 para 326.
O Recenseamento Geral da População e Habitação de 2024 teve como data de referência 19 de Setembro de 2024 e a recolha prolongou-se até 20 de Dezembro desse ano. Foi o segundo censo realizado no país desde a independência, dez anos depois do de 2014.
O IPCN é compilado sistematicamente desde Janeiro de 2015 e resulta da agregação dos índices provinciais. Em Julho de 2026, registou uma variação homóloga de 9,33 por cento, a primeira leitura de um só dígito da série.





