Sonangol pagou mais 586 milhões de dólares por produtos petrolíferos importados no segundo trimestre

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Custo médio da tonelada importada subiu de 735 para 1.218 dólares entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. Défice líquido do comércio de produtos petrolíferos da petrolífera estatal mais que duplicou, para 1,09 mil milhões de dólares

A Sonangol gastou 1.164.984.504,85 dólares na importação de produtos petrolíferos no segundo trimestre, mais 101,3% do que no trimestre anterior, para um aumento de volume de 21,4%.

O contraste entre as duas variações é a informação central do balanço trimestral apresentado pela Unidade de Negócio Trading & Shipping. O volume importado passou de 787.730,01 para 956.425,67 toneladas métricas, um acréscimo de 168.695,66 toneladas, enquanto o valor bruto subiu 586.343.972,83 dólares. O custo médio por tonelada métrica passou, em consequência, de 734,57 para 1.218,06 dólares, um agravamento de 65,8%. O cálculo do custo unitário é da Outside, a partir dos volumes e valores publicados pela empresa.

O movimento é simétrico ao que se verificou no crude. O mesmo choque de preços que elevou a receita de exportação de petróleo bruto para 8.907.981.036,53 dólares no trimestre encareceu na mesma proporção os produtos refinados que Angola compra no exterior, com o agravante de as margens de refinação internacionais terem estado sob pressão durante o período, factor que os documentos da Sonangol identificam entre os que condicionaram o mercado.

Do lado das exportações de produtos, o desempenho foi inverso. A Sonangol exportou 112.467,24 toneladas métricas, menos 29,3% do que no primeiro trimestre, por 71.733.065,26 dólares, uma quebra de 17,2% em valor. A rubrica inclui produtos refinados e gases de petróleo liquefeito. O preço médio de exportação por tonelada subiu de 544,35 para 637,81 dólares, um aumento muito inferior ao registado do lado da importação.

O resultado é um agravamento acentuado do saldo. O défice líquido do comércio de produtos petrolíferos da empresa passou de 492.012.184,81 para 1.093.251.439,59 dólares, um acréscimo de 122,2%, o equivalente a cerca de 12 milhões de dólares por dia ao longo dos 91 dias do trimestre. O rácio entre volume importado e volume exportado alargou de 4,9 para 8,5 toneladas.

Colocada em perspectiva, a factura de importação absorveu 11,5% da receita bruta que Angola obteve com a exportação de petróleo bruto, gás natural liquefeito, gases de petróleo liquefeito e condensados no mesmo período, que ascendeu a 10.157.525.257,50 dólares.

Os números da Sonangol representam apenas parte do esforço nacional de importação. Segundo o Instituto Regulador dos Derivados do Petróleo, Angola importou 1.022.408 toneladas de combustíveis líquidos no primeiro trimestre de 2026, por cerca de 817 milhões de dólares, com 82,7% do abastecimento a depender do exterior. A Refinaria de Luanda respondeu por 15,9% e o topping da Cabgoc, em Cabinda, por 1,4%, num período condicionado por paragens técnicas para manutenção. O volume importado pela Sonangol nesse trimestre corresponde a cerca de 77% do total nacional apurado pelo regulador.

O IRDP não divulgou até ao momento os dados equivalentes para o segundo trimestre, pelo que não é possível determinar se o aumento registado pela Sonangol reflecte um agravamento proporcional do conjunto do sector ou uma alteração da quota da estatal nas aquisições. Os dados da Sonangol relativos ao segundo trimestre de 2026 estão identificados como provisórios.

Entenda

Angola exporta petróleo bruto e importa a maior parte dos combustíveis que consome, uma assimetria que expõe as contas públicas e a balança cambial em ambas as direcções de um choque de preços. Quando a cotação internacional sobe, a receita de exportação aumenta, mas a factura de importação de derivados sobe também, e tipicamente com maior intensidade, porque incorpora as margens de refinação para além do custo da matéria-prima.

A capacidade de refinação nacional continua limitada à Refinaria de Luanda e ao topping da Cabgoc, em Cabinda, com os projectos de Cabinda, do Soyo e da Barra do Dande ainda a não produzirem efeito material sobre a dependência externa. No primeiro trimestre de 2026, essas duas unidades asseguraram em conjunto 17,3% do abastecimento nacional de combustíveis líquidos.

A Sonangol não é o único importador de derivados em Angola, mas é o dominante. Os dados agora divulgados respeitam exclusivamente à actividade da sua Unidade de Negócio Trading & Shipping e não constituem o apuramento nacional, que compete ao IRDP.

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