Unitel chega à bolsa com lucro de 158 mil milhões de kwanzas em 2025, impulsionado pela venda do BFA

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Resultado líquido subiu 59,3% face a 2024, mas grande parte do salto veio de ganhos financeiros não recorrentes, e não da operação. Contas de 2025, auditadas pela EY sem reservas, mostram um activo de 1.423 mil milhões de kwanzas e uma margem EBITDA de 33,3%.

A Unitel fechou 2025 com um lucro de 158,4 mil milhões de kwanzas, mais 59,3% do que em 2024, impulsionado sobretudo pela venda de 15% do BFA.

Segundo a documentação oficial da oferta, extraída do prospecto aprovado pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC), o resultado líquido do exercício ascendeu a 158.369 milhões de kwanzas em 2025, um crescimento de 58.934 milhões, ou 59,3%, face aos 99,4 mil milhões de 2024. O activo total situou-se em 1.423,7 mil milhões de kwanzas a 31 de Dezembro, mais 13,4% em termos homólogos. As contas do exercício foram auditadas pela consultora EY, que as aprovou sem qualquer reserva.

O detalhe que qualifica o número é a sua origem. O salto do lucro assentou nos resultados financeiros, que cresceram 488% para 117,3 mil milhões de kwanzas, rubrica onde se alojam a mais-valia da alienação de 15% da participação da Unitel no BFA e os dividendos distribuídos pelo banco. Significa que grande parte do resultado de 2025 é não recorrente e não se repetirá nos mesmos moldes; o desempenho puramente operacional, embora em recuperação, representa uma fracção do valor que encabeça as contas.

No plano operacional, a operadora reporta receitas superiores a 505 mil milhões de kwanzas em 2025, contra 386,9 mil milhões no ano anterior, e uma margem EBITDA de 33,3%, o que corresponde a um EBITDA próximo de 168 mil milhões. A própria empresa ressalva, porém, que alguns destes indicadores são obtidos a partir de sistemas internos e devem ser lidos como estimativa, ao contrário das rubricas auditadas.

A trajectória recente ajuda a enquadrar o momento. O lucro passou de 34,6 mil milhões em 2023 para 99,4 mil milhões em 2024 e 158,4 mil milhões em 2025, mas partiu de uma base baixa: 2023 foi o ano seguinte à nacionalização, quando os resultados operacionais tinham caído 82%. A comparação com o passado é ainda mais reveladora, pois a Unitel já teve margens EBITDA acima de 60% e facturação próxima dos 1.500 milhões de dólares, patamares bem superiores aos actuais, com a desvalorização do kwanza a explicar parte da queda em dólares.

Em matéria de remuneração dos accionistas, foi aprovada a distribuição de 25% dos resultados líquidos de 2025, retendo-se o remanescente para financiar investimentos e reforçar a posição financeira no contexto da entrada em bolsa. Convém reter que estes números foram apresentados pela própria empresa no quadro de uma operação de venda, pelo que merecem leitura crítica; ainda assim, as rubricas centrais assentam em contas auditadas, sendo os indicadores operacionais estimativas internas.

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