Nacionalistas russos pressionam Putin a intensificar guerra e abandonar diálogo com Washington

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Ataques ucranianos em profundidade no território russo alimentam críticas à estratégia do Kremlin
Sectores mais radicais defendem mobilização total e medidas militares mais agressivas contra a Ucrânia e os seus aliados

Figuras nacionalistas e defensores de uma linha mais dura dentro da Rússia estão a pressionar o Presidente Vladimir Putin para abandonar as negociações com os Estados Unidos sobre a guerra na Ucrânia e adoptar uma estratégia militar mais agressiva, na sequência de uma série de ataques ucranianos em território russo.

Segundo a Reuters, os recentes ataques com drones ucranianos atingiram regiões próximas de Moscovo, São Petersburgo e da Crimeia, expondo vulnerabilidades na defesa aérea russa e alimentando o descontentamento entre sectores que consideram a resposta do Kremlin insuficiente.

Vários comentadores nacionalistas, antigos responsáveis militares e bloguistas pró-guerra defendem uma escalada do conflito, incluindo uma mobilização militar mais ampla, ataques mais intensos contra cidades ucranianas e até o abandono das conversações diplomáticas com Washington. Algumas das propostas mais radicais incluem ataques contra infra-estruturas europeias associadas ao apoio militar à Ucrânia e o recurso a armas nucleares tácticas, embora estas posições não tenham sido adoptadas pelo Kremlin.

A pressão surge num momento particularmente delicado para Moscovo. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou recentemente uma nova campanha de quarenta dias destinada a aumentar a pressão sobre a Rússia através de ataques em profundidade e de operações contra instalações utilizadas no esforço de guerra russo.

Apesar das críticas, Vladimir Putin continua a manter aberta a possibilidade de uma solução diplomática. O Kremlin tem afirmado repetidamente que permanece disponível para negociações, embora considere que as actuais condições não permitem avanços significativos. Ao mesmo tempo, Moscovo intensificou os ataques aéreos contra a Ucrânia e aumentou a retórica contra os seus apoiantes ocidentais.

Analistas citados pela Reuters consideram que o endurecimento do discurso dos sectores nacionalistas reflecte a crescente preocupação com a capacidade da Ucrânia de atingir alvos cada vez mais distantes dentro da Rússia. Os ataques têm provocado perturbações em infra-estruturas energéticas e industriais e levado a população russa, sobretudo em Moscovo, a sentir de forma mais directa os efeitos da guerra.

Apesar do aumento da pressão interna, não existem sinais de que Putin esteja preparado para adoptar as propostas mais extremas defendidas pelos sectores mais radicais. O Presidente russo continua a apostar em ganhos militares no leste da Ucrânia e a manifestar esperança de que futuras mudanças políticas no Ocidente criem condições mais favoráveis para um entendimento com Moscovo.

A crescente divisão entre os defensores da diplomacia e os partidários de uma escalada militar evidencia as tensões existentes no interior da Rússia sobre a condução da guerra, num momento em que o conflito entra numa nova fase marcada pelo aumento dos ataques ucranianos em território russo e pela persistente ausência de uma solução negociada.

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