Administração norte-americana pretende financiar resposta internacional e reforçar preparação interna
Pedido surge perante receios de propagação da doença e pressão sobre sistemas de saúde africanos
A administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai solicitar ao Congresso mais de 14 mil milhões de dólares para financiar a resposta ao actual surto de Ébola, num dos maiores pedidos de emergência sanitária desde a pandemia de Covid-19.
Segundo responsáveis norte-americanos citados pela Reuters, o financiamento destina-se a apoiar operações de contenção da doença em países afectados, reforçar programas de vigilância epidemiológica, acelerar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos e aumentar a capacidade de preparação dos Estados Unidos para eventuais casos importados.
O pedido de financiamento surge numa altura em que as autoridades de saúde internacionais acompanham com preocupação a evolução do surto, que tem colocado forte pressão sobre os sistemas de saúde de vários países africanos. Os Estados Unidos consideram que uma resposta rápida e coordenada é essencial para evitar uma expansão mais ampla da epidemia.
A proposta da Casa Branca prevê igualmente verbas para apoiar organizações internacionais e parceiros estrangeiros envolvidos no combate à doença, incluindo programas de assistência humanitária e de reforço das capacidades laboratoriais e hospitalares.
Responsáveis da administração norte-americana defendem que o investimento imediato é mais eficaz e menos oneroso do que responder a uma epidemia já disseminada. O pedido sublinha ainda a importância de reforçar os mecanismos de detecção precoce, rastreamento de contactos e distribuição de vacinas nas regiões afectadas.
O Congresso terá agora de analisar a proposta e aprovar as dotações orçamentais necessárias. Embora o combate a surtos de doenças infecciosas tenha tradicionalmente reunido apoio bipartidário nos Estados Unidos, alguns legisladores deverão questionar a dimensão do financiamento solicitado e a forma como os recursos serão distribuídos.
O Ébola é uma doença viral grave, frequentemente associada a elevadas taxas de mortalidade, e já provocou várias epidemias em África nas últimas décadas. Especialistas em saúde pública alertam que a rapidez da resposta internacional será determinante para impedir que o actual surto evolua para uma crise sanitária de maiores dimensões.
A iniciativa da administração Trump reflecte também uma crescente preocupação com os riscos de segurança sanitária global e com o impacto económico e humanitário que uma nova epidemia de grande escala poderia provocar.




