Joseph Aoun defende que soberania libanesa exige fim da presença militar israelita no sul do território
Exigência surge durante nova ronda de negociações entre Líbano e Israel mediada pelos Estados Unidos
O Presidente do Líbano, Joseph Aoun, reiterou que qualquer acordo duradouro com Israel terá de incluir a retirada total das forças israelitas do território libanês, defendendo que a soberania do país não pode ser restaurada enquanto permanecerem tropas estrangeiras no sul do Líbano.
A posição foi reafirmada no arranque de uma nova ronda de negociações directas entre representantes libaneses e israelitas em Washington. As conversações decorrem num contexto de frágil cessar-fogo e de intensos esforços diplomáticos para pôr termo ao conflito que desde Março provocou milhares de mortos em território libanês.
Segundo fontes diplomáticas citadas pela Reuters, Beirute pretende obter um calendário claro para a retirada das tropas israelitas que continuam destacadas em áreas estratégicas do sul do país. Aoun considera que essa retirada é uma condição fundamental para qualquer entendimento político ou de segurança entre as duas nações.
As autoridades israelitas mantêm, contudo, uma posição diferente. O Governo de Benjamin Netanyahu tem defendido a permanência de forças militares numa chamada “zona de segurança” junto à fronteira, argumentando que a medida é necessária para impedir novos ataques do Hezbollah contra o norte de Israel.
A divergência continua a ser um dos principais obstáculos às negociações. Enquanto o Líbano insiste na recuperação integral do controlo sobre o seu território, Israel exige garantias de que o Hezbollah será desarmado e deixará de representar uma ameaça para as comunidades israelitas próximas da fronteira.
Aoun tem procurado posicionar-se como defensor de uma solução diplomática para o conflito, mas também tem insistido que o Estado libanês deve exercer autoridade plena sobre todo o território nacional. O presidente considera que as negociações representam uma oportunidade para alcançar um cessar-fogo permanente e reforçar a soberania do país.
As conversações decorrem sob forte pressão internacional, numa altura em que os Estados Unidos tentam consolidar o recente entendimento alcançado com o Irão e evitar uma nova escalada militar no Médio Oriente. Analistas consideram que o futuro das negociações dependerá em grande medida da capacidade de ambas as partes chegarem a um compromisso sobre a presença militar israelita no sul do Líbano e o papel do Hezbollah na segurança da região.




