Analista Gabriel Comolet aponta paisagem eleitoral cada vez mais competitiva e crescimento da UNITA como factores de pressão orçamental. Agência manteve há um mês a notação do país em B-, com perspectiva estável
A Fitch Ratings antevê um aumento da despesa pública em Angola com a aproximação das eleições gerais, previstas até Agosto de 2027, alertando para o risco de derrapagem orçamental.
O alerta foi feito por Gabriel Comolet, analista da agência de notação financeira que acompanha a economia angolana. Segundo o analista, a competição eleitoral tem-se intensificado, com a UNITA a crescer em sucessivos actos de votação e os resultados de 2022 a configurarem o escrutínio mais renhido desde o fim da guerra civil, num quadro em que a oposição manifestou reservas quanto à integridade do processo. A repetir-se a trajectória histórica, sustenta Comolet, é de antever uma subida da despesa.
A advertência prolonga a avaliação divulgada há cerca de um mês, na qual a Fitch manteve a notação de Angola em B-, com perspectiva de evolução estável. Nessa decisão, a agência já sinalizara o risco de derrapagem na despesa associado ao calendário eleitoral, classificação que se mantém abaixo do nível de investimento.
Na fundamentação, a Fitch indicou que os riscos para a notação se encontram, em termos gerais, equilibrados. Preços mais elevados do petróleo podem gerar receitas extraordinárias e apoiar a consolidação orçamental e as reservas externas, mas a agência considera esse potencial contrabalançado pelo risco de derrapagem nas despesas, sobretudo no contexto de aproximação das eleições.
A agência associou ainda esse risco ao ambiente social. Na sua leitura, os protestos de Julho de 2025 contra o preço dos combustíveis evidenciaram o potencial de agitação social e reforçaram a probabilidade de despesas pré-eleitorais acrescidas, designadamente em transferências sociais e em despesas de capital. Ainda assim, a Fitch antecipa ampla continuidade política, independentemente do resultado eleitoral.





