Menos de 20% do Corredor do Lobito tem acesso a electricidade e investidores alertam para risco de infra-estrutura subaproveitada

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País dispõe de 6,3 gigawatts de capacidade instalada, mas taxa de cobertura nacional não ultrapassa 48%. Meta do Governo limita-se a atingir 50% de electrificação até 2027

O défice no acesso à electricidade ao longo do Corredor do Lobito foi apontado como um dos principais entraves à viabilidade industrial do projecto durante o III Fórum Empresarial Corredor do Lobito Angola–União Europeia, realizado de 5 a 6 de Maio, em Luanda. Segundo o director nacional do IFC/Banco Mundial, Roland Yameogo, menos de 20% das zonas ao longo do corredor dispõem de electrificação, o que condiciona actividades produtivas como indústria, agroindústria e logística.

Dados do Ministério da Energia e Águas indicam que Angola dispõe actualmente de cerca de 6,3 gigawatts de capacidade instalada, dos quais 65% de origem renovável — 10 pontos percentuais abaixo da projecção traçada em 2025. Contudo, a distribuição desigual e as limitações na rede de transporte e distribuição impedem que esta capacidade se traduza em fornecimento estável nas zonas abrangidas pelo corredor.

José Alves Salgueiro, director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística do Ministério da Energia e Águas, apontou avanços recentes: a implementação de nove projectos fotovoltaicos que acrescentam cerca de 429 megawatts, a interligação dos sistemas eléctricos e a integração de grandes barragens como Capanda (520 MW), Cambambe (960 MW) e Lauca (2.070 MW).

Ainda assim, a taxa nacional de cobertura eléctrica situa-se em 48%, com uma meta governamental que não ultrapassa os 50% até 2027. O programa de electrificação de 16 comunas, que prevê 265 MW em sistemas solares off-grid e 595 MWh de armazenamento, “procura reduzir o défice”, segundo o representante do ministério, mas não acompanha o ritmo das necessidades económicas.

Ao longo dos painéis do fórum, investidores e especialistas convergiram na mesma advertência: sem energia fiável e a custos sustentáveis, o Corredor do Lobito arrisca-se a permanecer uma infra-estrutura logística com impacto limitado na diversificação económica, ficando aquém do objectivo de se transformar numa plataforma competitiva de produção e exportação.

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