Custos com sinistros na Nossa Seguros sobem 57% e ultrapassam crescimento de prémios

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Seguradora registou despesas com indemnizações de 37,5 mil milhões de kwanzas em 2025, enquanto prémios brutos emitidos cresceram 49% para 116 mil milhões. Rácio de sinistralidade atinge 32%, com ramos de acidentes de trabalho, saúde e automóvel como os mais afectados por inflação de custos médicos e falta de coordenação entre seguradoras

A Nossa Seguros registou em 2025 custos com sinistros de 37,5 mil milhões de kwanzas, representando um aumento de 57% face aos 23 mil milhões de kwanzas do exercício de 2024. O crescimento das despesas com indemnizações superou o aumento de 49% dos prémios brutos emitidos, que totalizaram 116 mil milhões de kwanzas no mesmo período, levantando questões sobre a sustentabilidade da estrutura de preços da seguradora.

Os dados foram apresentados por Alexandre Carreira, Presidente da Comissão Executiva (PCE) da Nossa Seguros, durante a apresentação do relatório anual de 2025 da seguradora, realizada na quinta-feira, 26 de Março de 2026, em Luanda. Segundo o responsável, os principais factores que explicam o aumento dos custos com sinistros incluem a inflação nos serviços de saúde — desde o acesso a unidades hospitalares aos preços dos medicamentos —, a gestão de riscos em investimentos e a falta de coordenação entre seguradoras no controlo de fraudes e sinistros.

Os ramos mais afectados pelo aumento de sinistralidade foram acidentes de trabalho (57%), doenças (55%), automóvel (47%) e petroquímica (31%). O rácio de sinistralidade — relação entre sinistros pagos e prémios emitidos — situou-se em 32%, representando uma subida de 16% face aos 5% de 2024. Alexandre Carreira qualificou este valor como “pouco preocupante” quando comparado com a taxa de 41% registada pelo conjunto do mercado segurador angolano no mesmo ano, embora não tenha apresentado dados oficiais que sustentem esta afirmação.

Para o PCE da Nossa Seguros, a falta de articulação entre seguradoras dificulta o controlo de sinistros, sendo necessário um processo de subscrição mais rigoroso, adopção de preços adequados ao risco e qualificação dos colaboradores. “Com base num bom exercício de subscrição aplicado a um bom preço, além do facto de ter pessoas com experiência e, claro, sem descurar o humanismo”, afirmou.

O aumento dos custos com sinistros surge num contexto de crescimento significativo da produção da seguradora. Os prémios brutos emitidos atingiram 116 mil milhões de kwanzas em 2025, contra 78 mil milhões em 2024 — um crescimento de 49% que marca a primeira vez que a Nossa Seguros ultrapassa a barreira dos 100 mil milhões de kwanzas em prémios anuais. Este crescimento foi impulsionado pelo seguro de saúde (aumento de 40%), seguro de vida (variação de 231%) e ramos diversos (50%).

O resultado líquido da seguradora situou-se em 13,3 mil milhões de kwanzas, representando um aumento de 22% face aos 10,9 mil milhões registados em 2024. As despesas totais da empresa rondaram os 28,2 mil milhões de kwanzas, sendo 33% gastos com pessoal e 149% em taxas e impostos — embora não tenha sido esclarecido se este valor de 149% se refere a um crescimento ou a uma proporção das despesas.

A taxa de solvência — indicador que mede a capacidade da seguradora de honrar compromissos com segurados — registou uma descida ligeira de 4%, passando de 261% em 2024 para 257% em 2025. Segundo Alexandre Carreira, a descida resulta do “aumento da produção, que elevou os requisitos aumentando as responsabilidades”. A taxa mantém-se significativamente acima do mínimo regulamentar de 100% exigido pela Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG).


FICHA FINANCEIRA — NOSSA SEGUROS 2025

Prémios brutos emitidos: 116 mil milhões Kz (+49% vs. 2024)
Custos com sinistros: 37,5 mil milhões Kz (+57% vs. 2024)
Rácio de sinistralidade: 32% (vs. 5% em 2024)
Resultado líquido: 13,3 mil milhões Kz (+22% vs. 2024)
Despesas totais: 28,2 mil milhões Kz
Taxa de solvência: 257% (vs. 261% em 2024)

Crescimento por ramo:

  • Seguro de saúde: +40%
  • Seguro de vida: +231%
  • Diversos: +50%

Sinistralidade por ramo:

  • Acidentes de trabalho: 57%
  • Doenças: 55%
  • Automóvel: 47%
  • Petroquímica: 31%

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