Sergio García e Mac Verkron fundem mitologias de Angola e México em esculturas de barro vivo no Estúdio-V

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O Estúdio-V, espaço dedicado à criação e pesquisa artística do colectivo angolano Verkron, abriu as portas ao público na passada quinta-feira, 7 de Agosto, com a apresentação das obras produzidas durante a residência artística do ceramista mexicano Sergio García em Luanda. O evento, que decorreu em formato de open studio a partir das 18 horas, revelou o resultado de uma colaboração intensa entre García e o artista multidisciplinar Mac Verkron, marcada pela fusão de universos mitológicos e simbologias ancestrais de Angola e do México.

Durante três semanas, os dois artistas moldaram em barro esculturas que dialogam com elementos sagrados, naturais e espirituais de ambas as culturas. O barro vivo, escolhido como matéria principal, foi mantido em estado cru, reflectindo a dureza estética dos elementos primordiais — fogo, ar, madeira — e evocando a força espiritual que atravessa as narrativas de resistência e identidade dos dois países. “Tem sido uma experiência muito importante para mim, que junta a criação artística com elementos culturais e de pensamento de dois países que aparentemente estão distantes, mas que têm muito em comum, tanto esteticamente como de imaginário artístico e cultural”, afirmou Sergio García, natural de Querétaro e distinguido em várias edições do Prémio Nacional de Cerâmica do México.

O que começou como uma residência artística individual — a primeira de um artista estrangeiro no Estúdio-V — rapidamente evoluiu para uma colaboração criativa com Mac Verkron, conhecido pelas suas obras em murais, pintura e ilustração, e que tem vindo a explorar a modelagem em barro como extensão das suas vivências pessoais. “Juntos, estivemos a explorar diferentes técnicas de cerâmica e a interagir com elementos culturais representativos tanto do México como de Angola”, acrescentou García, sublinhando o valor do intercâmbio artístico e cultural proporcionado pelo colectivo Verkron.

As esculturas apresentadas foram concebidas como protótipos escaláveis, capazes de se adaptar a diferentes contextos e dimensões. Nascem de uma cosmogonia inventada, onde formas antropomórficas, símbolos pré-hispânicos e espiritualidades africanas se entrelaçam em harmonia. O público teve a oportunidade de acompanhar o processo de produção e de contactar directamente com as peças, num ambiente de partilha e experimentação artística.

Mac Verkron, artista angolano com formação em Artes Visuais e Multimédia, é membro fundador do colectivo Verkron e tem-se destacado pela abordagem afro-surrealista e afro-futurista que imprime às suas criações. A sua obra é marcada pela imaginação radical, pela espiritualidade e pela incorporação de elementos naturais e sociais em universos figurativos.

No encerramento do open studio, Sergio García deixou uma mensagem de agradecimento: “Quero agradecer ao colectivo Verkron por esta oportunidade e espero que seja o início de um intercâmbio entre os nossos países e os nossos artistas.” A colaboração entre García e Verkron representa não apenas um encontro artístico, mas também um gesto de aproximação cultural entre duas geografias que, apesar da distância, partilham histórias de resistência, espiritualidade e reinvenção estética.

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