O responsável de Tesouraria do banco contou num fórum em Luanda que um modelo de inteligência artificial faz agora uma tarefa que, segundo ele, antes poderia caber a um analista júnior. Mantém, porém, dúvidas sobre o uso da tecnologia em decisões de juízo.
O Access Bank Angola passou a usar um modelo de inteligência artificial (IA) para recolher as taxas de câmbio publicadas no mercado e organizá-las numa base de dados. A informação foi dada por Frederico Lourenço, responsável de Tesouraria e Mercados de Capitais do banco.
“Ainda recentemente colocámos um modelo a fazer busca das taxas de câmbio de mercado e a conseguir fazer uma base de dados de todas as taxas que são publicadas a nível de mercado”, afirmou, num painel sobre tesouraria do Angola Reimagine Banking Forum. O encontro foi organizado a 14 de Outubro, em Luanda, pela fornecedora de software bancário Finastra.
Segundo o responsável, a tarefa seria antes feita, possivelmente, por um analista júnior, que passa a ter tempo para trabalho de maior alcance. Frederico Lourenço não indicou que modelo é usado, desde quando, nem se a mudança teve efeito na dimensão da equipa.
O responsável traçou também os limites da tecnologia. Admitiu ter dúvidas quanto ao papel da IA nas decisões que dependem de juízo. À medida que se sobe na hierarquia, explicou, o trabalho depende menos da análise de dados e mais da tomada de decisões. Aí pesam factores como a escolha entre instrumentos que pagam a mesma taxa ou a intuição do tesoureiro.
Ainda assim, mostrou-se favorável à mudança. “Acredito que o papel está a mudar, vai continuar a mudar e é visto com bons olhos, porque estamos a caminhar para um mundo mais eficiente”, disse.
Uma função em transformação
Frederico Lourenço descreveu uma função de tesouraria que vai além da gestão do balanço. Segundo ele, várias instituições bancárias juntaram as direcções de tesouraria e de mercados financeiros. O tesoureiro passou a acumular a gestão cambial, a análise de conformidade e de risco e a procura de oportunidades de negócio.
Para sustentar a ideia, citou um inquérito internacional a tesoureiros publicado no ano passado. Os números que referiu correspondem ao estudo DNA of the Treasurer, divulgado pela EY em Setembro de 2025, com respostas de 978 tesoureiros e 249 responsáveis financeiros de 27 países. Segundo o estudo, 83% dos tesoureiros esperam que a sua função se transforme até 2030 e 70% já usam IA nas operações diárias. Entre os responsáveis financeiros, 84% esperam que a tesouraria dê mais peso à criação de valor e ao crescimento do negócio.
O regulador ainda a medir
O uso de IA pela banca angolana está na agenda do Banco Nacional de Angola (BNA). Em Maio, o governador, Manuel Tiago Dias, afirmou que o sector já adoptou a tecnologia nos seus procedimentos e anunciou um diagnóstico sobre a sua utilização, com vista à regulamentação, segundo a Carta de Angola.





