Defesa de “Kopelipa” e “Dino” invoca lei da amnistia para pedir absolvição. Chineses pedem para passarem de réus a testemunhas

Data:

A defesa dos generais angolanos “Kopelipa” e “Dino” invocou hoje a lei da amnistia para pedir a absolvição dos antigos homens fortes do ex-Presidente José Eduardo dos Santos da maioria dos crimes de que são acusados.

O pedido foi hoje feito no período das questões prévias, apresentadas na segunda sessão do julgamento, em que os mandatários dos dois arguidos, acusados de defraudar o Estado angolano em milhões de dólares, pediram a absolvição da maioria dos crimes de que são acusados.

A defesa no seu pedido invocou a lei de 2016, que amnistia todos os crimes puníveis com pena de prisão até 12 anos, que tenham sido cometidos por nacionais ou estrangeiros, entre 11 novembro de 1975 e 11 novembro de 2015, ficando de fora o crime de peculato.

Os generais Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” e Leopoldino do Nascimento “Dino” são acusados de vários crimes como tráfico de influências, branqueamento de capitais, falsificação de documento, associação criminosa e abuso de poder, sendo também arguidos o advogado Fernando Gomes dos Santos e as empresas Plansmart International Limited e Utter Right International Limited.

As empresas terão alegadamente sido usadas pelos arguidos para montarem o esquema, envolvendo um acordo de financiamento entre Angola e China para apoiar a reconstrução nacional, após a guerra civil, do qual fazia parte também a China international Fund e suas subsidiárias e a Sonangol, cujo ex-presidente Manuel Vicente é citado várias vezes na acusação.

Tanto o defensor de “Kopelipa”, João Amaral Gourgel, como o de “Dino”, Bangula Quemba, invocaram a lei da amnistia, bem como Benja Satula, que representa as empresas chinesas e que pediu que sejam absolvidas como arguidas e constituídas como testemunhas no processo.

Bangula Cuemba apresentou ainda questões relacionadas com as medidas de coação impostas ao general “Dino”, nomeadamente a devolução do passaporte e fim do impedimento de sair de Luanda e do país, sublinhando que o seu constituinte, arguido desde setembro de 2022 está há cinco anos “preso em céu aberto”.

Já Amaral Gourgel, que representa também o advogado Fernando Gomes dos Santos, considerou que o Ministério Público está a criar um caso inédito, por constituir arguido um advogado no exercício pleno das suas funções, requerendo a sua absolvição por entender que a sua intervenção no processo foi limitada à pratica de atos de advogado.

O tribunal poderá suspender em breve o julgamento face a um recurso ordinário de inconstitucionalidade interposto por Benja Satula, que está pendente no Tribunal Constitucional.

Em causa está um recurso da instrução contraditória, indeferido pelo juiz de garantias, que deu origem a uma reclamação junto do presidente do Tribunal Supremo, que entendeu que a lei nova que proíbe o recurso do despacho de pronúncia era a mais favorável aos arguidos.

A defesa das empresas chinesas entendeu que este despacho feria o direito fundamental ao recurso, recorrendo para o Tribunal Constitucional, que indeferiu liminarmente o recurso, voltando para o plenário deste tribunal, onde está em curso, tendo efeitos suspensivos.

spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img

Partilhe com amigos:

Notícias no E-Mail

spot_img

Popular

Artigos relacionados
Artigos relacionados

Nvidia apoia ronda de investimento que avalia Vast Data em 149,7 mil milhões de reais

Empresa reforça aposta em infra-estruturas de dados para inteligência...

Quando a Chuva vira Risco de Crédito- Benguela e o Novo Desafio Prudencial

As cheias em Benguela deixaram uma evidência que já...

Acer lança trotinete eléctrica Nitro ES Series 3 Select com autonomia até 40 quilómetros

Modelo reforça aposta da marca na mobilidade urbana Equipamento combina...

OpenAI cria joint venture para integrar ChatGPT nas operações empresariais

Parceria visa acelerar adopção de inteligência artificial no sector...