Exposição sobre a independência mostra apenas 15% do acervo por falta de espaço e financiamento

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Coleccionadores pedem maior apoio à preservação do património político-cultural. Secretária de Estado diz que valorização do património é “responsabilidade partilhada”


A exposição “Angola 75 — A Expressão Gráfica da Independência”, inaugurada no Palácio de Ferro, em Luanda, apresenta apenas 15% de um acervo documental que cobre o período entre 1960 e 1979, por insuficiência de espaço e ausência de patrocínios. A mostra estará aberta ao público de 22 de Abril a 29 de Maio.


Desenvolvida a partir das colecções de impressos de José Julião e Jeredh Santos, a exposição reúne livros, discos, fotografias, trechos de discursos, moedas, selos e outros artefactos do período da luta pela independência, concebida especialmente para estudantes do ensino geral e universitário. A inauguração coincide com as comemorações dos 50 anos da independência nacional.


Os dois coleccionadores reconhecem que o alcance da mostra fica aquém do potencial do acervo. “Possuímos um acervo com mais de 50 anos, sobretudo peças raras de se encontrar publicadas em Angola. Apesar disso, não há muita gente interessada nesse tipo de material. Sem falar da inexistência de espaços para as exibir, assim como da disponibilidade financeira”, afirmaram, apelando a historiadores e ao Governo para incentivarem as universidades a realizarem investigações sobre a história do país, com vista a salvaguardar o património cultural.


Em resposta, a Secretária de Estado para a Cultura, Maria da Piedade, classificou a iniciativa como “um verdadeiro lugar de resistência cultural”, mas recusou atribuir ao Governo a responsabilidade exclusiva pelo apoio a artistas e coleccionadores. “A valorização do património cultural é uma responsabilidade partilhada que convoca instituições públicas e privadas para um mesmo propósito, que é preservar, valorizar e projectar a identidade angolana”, afirmou.


Maria da Piedade acrescentou que o Executivo “continua empenhado na criação de condições para a valorização do património cultural, incentivo à criação artística e a democratização do acesso à cultura”.


No Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026, o Ministério da Cultura recebeu uma dotação de despesa para programas e projectos avaliada em 28,8 mil milhões de kwanzas, que inclui apoio financeiro a associações de utilidade pública, reabilitação e apetrechamento de bibliotecas e museus, bem como promoção e fomento de actividades artísticas.

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