17.ª edição superou em 23,46% o valor esperado, mas decorre num contexto internacional marcado pela quebra da procura e pela descida de preços
A SODIAM, E.P. encerrou esta sexta-feira, em Luanda, o 17.º leilão de diamantes brutos, que rendeu um valor líquido total de cerca de 21,7 milhões de dólares. A operação envolveu a venda de 6.586,89 quilates, distribuídos por 35 pedras especiais produzidas por sociedades mineiras como a Catoca, Luele, Lulo, Cuango, Calonda e Somiluana, além de um lote run-of-mine.
O resultado superou em 23,46% o valor estimado pela empresa estatal — um desempenho que ganha relevância adicional quando lido à luz da conjuntura do mercado internacional de diamantes, atravessado por uma quebra da procura e pela consequente pressão sobre os preços. O próprio presidente do Conselho de Administração da SODIAM, Eugénio Bravo da Rosa, enquadrou o resultado como globalmente positivo precisamente por contrastar com esse cenário adverso.
Um mercado global sob pressão
A ressalva não é menor. O sector diamantífero mundial vive um dos períodos mais difíceis da última década, pressionado pela concorrência dos diamantes sintéticos (cultivados em laboratório), pela retracção do consumo em mercados-chave e pela queda continuada dos preços da pedra natural. Nesse contexto, o facto de o leilão angolano ter atraído procura acima do esperado sugere que a produção colocada manteve interesse junto dos compradores internacionais — ainda que o valor absoluto deva ser lido com a devida cautela face a edições anteriores e a anos de maior dinamismo do mercado.
Participaram na licitação 27 das 34 empresas convidadas, representando as principais praças mundiais de comercialização de diamantes. As sessões de avaliação decorreram entre 22 e 25 de Junho, nas instalações da SODIAM em Luanda, com as licitações submetidas por via electrónica através de plataforma online.
O modelo de leilão e a aposta na transparência
A SODIAM destaca que o formato de leilão, em vigor ao abrigo do Decreto Presidencial 175/18, tem reforçado a confiança das sociedades mineiras e dos compradores, atribuindo esse ganho à transparência do processo. Segundo Bravo da Rosa, as mineiras participantes manifestaram satisfação com os preços obtidos, o que, no entendimento da empresa, valida o modelo de comercialização centralizada mesmo num enquadramento internacional desafiante.







