Trump ameaça destruir pontes e centrais eléctricas do Irão após ataque à principal ligação entre Teerão e Karaj, enquanto serviços de inteligência norte-americanos avaliam que Teerão mantém capacidade militar significativa. Conselho de Segurança da ONU vota proposta do Barém para autorizar acção naval no Estreito de Ormuz, a artéria por onde transita 20% do petróleo mundial
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou intensificar os bombardeamentos sobre o Irão após um ataque norte-americano e israelita à ponte B1, que liga Teerão à cidade de Karaj, ter causado oito mortos e 95 feridos, segundo a CNN, que acompanhou em directo os desenvolvimentos a 3 de Abril. “As pontes a seguir, depois as centrais eléctricas”, escreveu Trump na sua rede social Truth Social, acrescentando que os Estados Unidos “ainda não começaram a destruir o que resta no Irão.”
A ameaça contrasta com avaliações recentes dos serviços de inteligência norte-americanos, segundo as quais cerca de metade dos lançadores de mísseis iranianos permanecem intactos e milhares de drones de ataque continuam operacionais após cinco semanas de bombardeamentos intensivos, indicaram três fontes familiarizadas com a informação à CNN. As mesmas fontes descrevem o Irão como ainda “muito bem posicionado para causar destruição absoluta em toda a região.”
Crise energética afecta companhias aéreas e preços dos combustíveis
O conflito continua a pressionar os mercados energéticos globais. No Paquistão, o governo aumentou o preço da gasolina em 43% e o do gasóleo em 55%, em resposta ao agravamento dos preços internacionais, revelou a CNN. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina atingiu 4,08 dólares por galão, com estados como a Florida e o Utah a registar subidas superiores a 1,35 dólares por galão num único mês. Em Hong Kong, o galão já ultrapassou os 15,6 dólares, segundo a CNN.
As companhias aéreas asiáticas são das mais afectadas, com o preço do combustível de aviação a mais do que duplicar desde o início do conflito. A Air New Zealand, a Vietnam Airlines e a Korean Air já cortaram rotas ou activaram planos de contingência, de acordo com a CNN. Antes do conflito, a indústria aeronáutica global projectava lucros recordes de 41 mil milhões de dólares para 2026.
Diplomacia e movimentos militares
O Conselho de Segurança das Nações Unidas está agendado para votar no sábado uma proposta do Barém que autorizaria os países a utilizar “todos os meios defensivos necessários” para garantir a livre circulação no Estreito de Ormuz, segundo a CNN. A China opôs-se à autorização do uso da força no conselho, enquanto o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, realizou quatro rondas de contactos telefónicos com a União Europeia, a Alemanha, a Arábia Saudita e o Barém a apelar a um cessar-fogo, de acordo com a CNN.
No plano militar, o porta-aviões norte-americano USS Gerald R. Ford regressou ao serviço activo após reparações a um incêndio que o tinham mantido inoperacional. O Pentágono divulgou também imagens de fuzileiros navais a simular um assalto anfíbio na base naval de Diego Garcia, no Oceano Índico, onde opera o 31.º Grupo Expedicionário de Fuzileiros, segundo a CNN. Cerca de 50.000 militares norte-americanos estão actualmente destacados no Médio Oriente no âmbito do conflito.
No Kuwait, drones atingiram a refinaria de Mina al-Ahmadi, um dos principais centros de exportação de petróleo do Golfo Pérsico, sem vítimas reportadas, segundo a CNN, que cita a Reuters e a agência estatal de notícias kuwaitiana KUNA.



