PAE 2025 revela que grande maioria do stock da dívida é denominada ou indexada á moeda estrangeira. Governo mantém estratégia de alongamento de prazos e emissão em kwanza para reduzir vulnerabilidade.
A economia angolana mantém-se altamente exposta a flutuações no mercado cambial. Dados do Plano Anual de Endividamento (PAE) 2025 indicam que 83% do stock total da dívida governamental está sujeito a variações da taxa de câmbio. Esta exposição macroeconómica decorre de dívida denominada em moeda estrangeira (externa e interna) e de instrumentos internos indexados ao dólar ou ao euro.
No que concerne especificamente à dívida interna, 31% do stock (4.339,34 mil milhões de Kz em Novembro de 2024) está vulnerável ao câmbio, sendo 29% desse valor composto por Obrigações do Tesouro emitidas em Moeda Externa (OT-ME) e 2% por títulos indexados ao dólar. A dívida externa, que representa 74% do stock total, está maioritariamente denominada em dólares norte-americanos (79,73% do stock externo).
Para mitigar este risco, a estratégia de gestão da dívida para 2025 pretende “promover a redução dos títulos indexados à taxa de câmbio” e “dinamizar o mercado doméstico”, criando condições para uma maior participação do financiamento em moeda nacional. Nos últimos anos, esta estratégia já permitiu uma redução da dívida indexada ao dólar e um aumento da dívida denominada em kwanza. “É uma estratégia acertada para proteger o balanço do Estado contra choques externos”, referiu uma fonte do sector financeiro que preferiu não ser identificada.





