O programa pan-africano da empresa de mobilidade escolheu 24 jovens entre mais de 600 candidatos e distribuiu 12 mil dólares em prémios. Moçambique foi o único país lusófono representado.
O Yango Group encerrou em Abidjan, na Côte d’Ivoire, a edição de 2026 do Yango Fellowship, o seu programa pan-africano de formação de talentos tecnológicos. Durante dois dias, entre a cerimónia de graduação e um Pitch Day, 24 bolsistas apresentaram os projectos que desenvolveram ao longo de 12 semanas.
Os participantes vieram da Côte d’Ivoire, Gana, Zâmbia, Senegal, Etiópia e Moçambique. Angola, um dos mercados onde a Yango opera, não integrou a turma.
Uma taxa de admissão de 4%
A selecção foi apertada: mais de 600 candidaturas para 24 lugares, ou seja, cerca de quatro em cada cem candidatos. Os bolsistas foram organizados em seis equipas mistas, com membros de diferentes países. Cada equipa percorreu todas as fases de um projecto, da definição do problema à modelação de negócio, prototipagem e apresentação final.
Os projectos incidem sobre problemas quotidianos do continente. Entre eles estão pagamentos sem numerário nos transportes informais, identidade financeira digital para comerciantes informais e rastreio do abastecimento de medicamentos para agentes comunitários de saúde. Há ainda propostas de emprego transfronteiriço, gestão de resíduos e testes de baixo custo da qualidade da água em zonas rurais.
Emprego, resíduos e transportes no pódio
O fundo total de prémios foi de 12 mil dólares, atribuídos por um júri de especialistas em tecnologia, investimento e indústria.
Na categoria de equipas, o primeiro lugar e 4500 dólares couberam à Africoded, uma plataforma apoiada por inteligência artificial que liga candidatos africanos a oportunidades de emprego transfronteiriço e trabalho remoto. A Harambee ficou em segundo, com 2500 dólares, por uma plataforma de recolha e reciclagem de resíduos que liga famílias, colectores e recicladores. A Bloom fechou o pódio, com 1500 dólares, por um sistema de cobrança de tarifas sem numerário para os transportes públicos informais da África Oriental e Ocidental.
Nos prémios individuais, o zambiano Fredrick Mwepu venceu com o RoboCore Zambia, uma plataforma de robótica que procura tornar o ensino prático de STEM mais acessível. O ganês Meshack Kwame Nartey ficou em segundo com o Shuttle Smart Ghana, uma aplicação que informa os estudantes, em tempo real, sobre a chegada dos autocarros universitários. Oulimata Rose Dia recebeu o prémio de melhor contributo técnico pelo Smart Bin Collection, um sistema solar que monitoriza o enchimento dos contentores através de rede 2G.
“Talento à espera de acesso”
Para Shashi Singh, director de Operações da Yango Ride para o Médio Oriente, África e Ásia, a taxa de admissão não revela escassez de talento. Pelo contrário, mostra quanto talento está à espera de acesso estruturado a mentoria e oportunidades. “O que é mais difícil de encontrar é um mentor, uma rede de contactos e a oportunidade de testar uma ideia perante um problema real”, afirmou.
A empresa não esconde o interesse próprio. O Yango Group apresenta o programa como parte da forma como constrói o negócio em África. O argumento é que mercados com infra-estruturas e comportamentos distintos exigem competências locais.
É nesse ponto que a ausência angolana ganha relevo. O grupo opera serviços de mobilidade e entregas em Luanda, mas o seu programa de formação de talento local deixou Angola de fora. Resta saber se isso foi uma opção de calendário, de critérios ou de prioridades.





