A conferência “Roteiros de Inovação: Envelhecer com Dignidade” decorre em Luanda a 30 de Setembro e 1 de Outubro. O tema tem pouco espaço no debate público angolano, mas pesa cada vez mais nas famílias e nas contas públicas.
A Fundação BAI, braço de responsabilidade social do Banco BAI, promove a 30 de Setembro e 1 de Outubro, em Luanda, a sua conferência anual. A edição de 2026 tem como tema “Roteiros de Inovação: Envelhecer com Dignidade” e reúne especialistas, profissionais e instituições para discutir os desafios e as oportunidades associados ao envelhecimento.
Segundo a organização, a iniciativa responde à necessidade de alargar o debate sobre o tema. As transformações sociais, económicas e demográficas estão a criar novos desafios às famílias, às comunidades, às instituições e às políticas públicas. Durante dois dias, os participantes vão partilhar ideias e experiências sobre formas de promover um envelhecimento mais digno.
“O presente e o futuro da nossa sociedade”
Para Tchissola Mosquito, administradora executiva da Fundação BAI, o envelhecimento não é uma questão distante. “Falar sobre o envelhecimento é falar sobre o presente e o futuro da nossa sociedade”, afirmou. A responsável defende que o debate deve colocar no centro a dignidade, o bem-estar e a participação activa das pessoas idosas. Quer ainda que envelhecer seja visto como uma oportunidade de valorizar a experiência e o conhecimento de cada pessoa.
Um tema pouco óbvio num país jovem
A escolha do tema não é evidente. Angola tem uma das populações mais jovens do mundo, e o debate público sobre emprego, formação e demografia centra-se quase sempre nos jovens. É precisamente essa a razão para olhar para o envelhecimento com antecedência.
Os países que envelhecem sem preparação tendem a descobrir tarde os custos. Esses custos aparecem na sustentabilidade dos sistemas de pensões, na pressão sobre os serviços de saúde e no peso dos cuidados sobre as famílias, sobretudo sobre as mulheres. Surgem também oportunidades, na chamada economia do cuidado e nos produtos financeiros e de poupança para a reforma. Nesse segmento, a banca, incluindo o próprio BAI, tem interesse directo.
Resta saber se a conferência vai passar da reflexão para propostas concretas. O título promete “roteiros de inovação”, mas o comunicado não identifica oradores, instituições participantes nem os temas em debate.





