Três entidades gestoras reúnem 69% dos 68.423 participantes, segundo a ARSEG. Mais de 84% da carteira está aplicada em Obrigações do Tesouro e depósitos bancários
Os 35 fundos de pensões fechados detêm 96,63% do património do sector, contra 3,37% dos 11 fundos abertos, segundo dados da ARSEG relativos a 2025.
Os números foram apresentados por Aldemiro Gonçalves, administrador executivo da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), regulador do sector segurador e dos fundos de pensões. O administrador falou no discurso de abertura da III Conferência E&M sobre Fundos de Pensões, realizada a 2 de Outubro, no Hotel Epic Sana, em Luanda, e organizada pela revista Economia e Mercado e pela Nossa Seguros.
Os fundos fechados estão ligados a um único empregador ou grupo profissional. Os fundos abertos podem ser subscritos por qualquer trabalhador, independentemente da empresa onde trabalha ou da profissão que exerce. Para o administrador, a distribuição mostra que, em Angola, a poupança para a reforma “continua a ser sobretudo um privilégio de quem trabalha nas grandes empresas, nas multinacionais e em determinadas instituições do sector público”.
A concentração verifica-se também na distribuição dos participantes. O sector fechou 2025 com 68.423 participantes, mais 4% do que no ano anterior, e três das dez entidades gestoras reúnem 69% desse universo, segundo o administrador. Aldemiro Gonçalves classificou o número de participantes como residual face à população activa angolana.
A carteira dos fundos mantém um perfil conservador. No final de 2025, 49,31% dos activos estavam aplicados em Obrigações do Tesouro e 35% em depósitos bancários, o que soma 84,31% em instrumentos que o regulador descreve como os mais seguros e líquidos do mercado.
O administrador defendeu que a prudência deve continuar a ser o primeiro dever de quem gere poupança de terceiros. Defendeu também que o sector comece a canalizar recursos para o mercado de capitais e para a economia real “com prudência, mas com maior ambição”.
Para alargar a base de participantes, a ARSEG aponta a literacia financeira, a inovação de produtos e a captação de profissionais liberais, como advogados, médicos e arquitectos, que hoje estão fora do sistema. O regulador associa este esforço à nova lei dos fundos de pensões, cuja proposta está no grupo técnico do Conselho de Ministros, e à Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025-2027.
Segundo o relatório anual da ARSEG, os activos sob gestão dos fundos de pensões alcançaram 1,26 biliões de kwanzas em 2025, um crescimento de 11%. O número de fundos subiu de 41 para 46, geridos por dez entidades gestoras.
Os fundos pagaram cerca de AOA 135,7 mil milhões em benefícios em 2025, um aumento de quase 15% face ao ano anterior, segundo o administrador. No primeiro semestre de 2025, a ARSEG tinha reportado AOA 51,2 mil milhões em benefícios pagos, 87% dos quais relativos a pensões de velhice.





