Autoridades de saúde atribuem aumento da mortalidade às temperaturas extremas que atingiram grande parte do país
Especialistas alertam para impacto crescente das alterações climáticas na saúde pública europeia
A França registou mais de 1.000 mortes em excesso durante a recente onda de calor que atingiu o país, segundo dados preliminares divulgados pelas autoridades de saúde francesas, tornando este um dos episódios de temperaturas extremas mais mortíferos dos últimos anos.
Segundo a agência de saúde pública Santé Publique France, a mortalidade aumentou significativamente durante o período de calor intenso, com os idosos e as pessoas com doenças crónicas entre os grupos mais afectados. As temperaturas ultrapassaram os 40 graus Celsius em várias regiões francesas, estabelecendo novos recordes para o mês de Junho.
As autoridades indicaram que o excesso de mortalidade foi observado em praticamente todo o território francês, embora as regiões mais densamente povoadas e as áreas urbanas tenham registado os maiores impactos. O fenómeno foi agravado pelas elevadas temperaturas nocturnas, que reduziram a capacidade de recuperação do organismo e aumentaram os riscos para as populações vulneráveis.
A ministra francesa da Saúde afirmou que o episódio demonstra a necessidade de reforçar os mecanismos de prevenção e de protecção das pessoas mais vulneráveis perante eventos climáticos extremos, sublinhando que as ondas de calor estão a tornar-se mais frequentes e mais intensas.
A França activou o seu plano nacional de emergência para ondas de calor, mobilizando serviços de saúde, autarquias e organizações de assistência social para acompanhar pessoas idosas e outras populações em risco. Várias cidades abriram centros climatizados e prolongaram o horário de funcionamento de espaços públicos para oferecer abrigo à população.
Especialistas em saúde pública consideram que o número de mortes poderá ainda ser revisto em alta à medida que forem analisados os dados definitivos de mortalidade. Os cálculos de excesso de mortes comparam o número de óbitos registados durante um determinado período com a média histórica para a mesma época do ano.
A Europa tem sido particularmente afectada por fenómenos de calor extremo nos últimos anos. Estudos científicos indicam que as alterações climáticas estão a aumentar a frequência, duração e intensidade das ondas de calor, transformando-as numa das principais ameaças ambientais para a saúde pública no continente.
A experiência francesa reacende o debate sobre a preparação dos países europeus para enfrentar temperaturas cada vez mais elevadas. Autoridades de saúde e especialistas defendem investimentos adicionais em sistemas de alerta precoce, adaptação das cidades ao calor extremo e reforço das medidas de protecção para os grupos mais vulneráveis.
O episódio recorda também a vaga de calor de 2003, que provocou dezenas de milhares de mortes em vários países europeus e levou a uma profunda revisão das políticas de resposta a eventos climáticos extremos. Apesar dos progressos alcançados desde então, os dados mais recentes demonstram que as ondas de calor continuam a representar um sério desafio para os sistemas de saúde e para as políticas de adaptação climática na Europa.




