Apple recorre a tecnologia de 14 nanómetros para contornar crise de componentes

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Empresa estará a reconsiderar processos de fabrico mais antigos para garantir fornecimento de chips menos avançados
Estratégia procura aliviar pressões nas cadeias de abastecimento e libertar capacidade para componentes de última geração

A Apple estará a ponderar recorrer a chips produzidos com tecnologia de 14 nanómetros para alguns componentes menos exigentes dos seus dispositivos, numa tentativa de contornar os constrangimentos que continuam a afectar a indústria mundial de semicondutores.

Segundo informações avançadas pelo site especializado TugaTech, a empresa está a avaliar a utilização de processos de fabrico mais antigos para determinados componentes secundários, reduzindo a dependência das linhas de produção mais avançadas e libertando capacidade para os processadores de última geração utilizados nos iPhone, iPad e computadores Mac.

A medida surge numa altura em que a indústria dos semicondutores continua a enfrentar limitações de capacidade, impulsionadas pelo forte crescimento da procura de chips para inteligência artificial e centros de dados. Empresas como a Nvidia têm absorvido uma parte significativa da capacidade de produção das fábricas mais avançadas, aumentando a pressão sobre outros fabricantes tecnológicos.

Embora os chips de 14 nanómetros sejam considerados tecnologicamente ultrapassados quando comparados com os actuais processos de 3 e 2 nanómetros, continuam a ser adequados para diversas funções menos exigentes, incluindo controladores, circuitos de gestão de energia e outros componentes auxiliares presentes nos dispositivos electrónicos.

A Apple tem vindo a adoptar uma estratégia cada vez mais diversificada para garantir o fornecimento de componentes. Nos últimos meses, a empresa anunciou novas parcerias de fabrico nos Estados Unidos e intensificou os esforços para expandir a sua cadeia de abastecimento para além dos parceiros tradicionais.

A utilização de tecnologias de fabrico mais maduras poderá também trazer benefícios económicos. Os processos de 14 nanómetros apresentam custos de produção inferiores aos das gerações mais avançadas e são fabricados em instalações já amplamente amortizadas, permitindo uma maior disponibilidade de capacidade.

Analistas do sector consideram que a estratégia reflecte uma mudança de mentalidade na indústria dos semicondutores. Em vez de utilizar os processos mais avançados em todos os componentes, os fabricantes procuram agora reservar as tecnologias de ponta para os elementos que realmente beneficiam dos ganhos de desempenho e eficiência energética.

A decisão também evidencia os desafios colocados pelo actual ciclo de crescimento da inteligência artificial. O aumento da procura por processadores de elevado desempenho tem provocado escassez em diversas áreas da cadeia de abastecimento, obrigando empresas como a Apple a procurar soluções alternativas para manter os ritmos de produção.

Apesar da eventual adopção de chips de 14 nanómetros em alguns componentes, a Apple continua a apostar fortemente nas tecnologias mais avançadas para os seus principais processadores. A empresa mantém planos para acelerar a transição para processos de 2 nanómetros nos seus futuros dispositivos, numa estratégia destinada a melhorar o desempenho e a eficiência energética dos seus produtos.

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