Falta de certificação, laboratórios acreditados e sistemas de controlo continuam entre os principais obstáculos à entrada de produtos angolanos nos mercados africanos. Consultores da UNECA alertam que a eliminação de tarifas não basta para garantir o aumento das exportações nacionais
As exigências fitossanitárias dos países importadores podem travar a ambição exportadora de Angola na zona de comércio livre africana, alertaram consultores da UNECA, em Luanda.
A integração de Angola na Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA), debatida a 23 de Junho, em Luanda, no workshop nacional promovido pelo Ministério da Indústria e Comércio (MINDCOM), poderá abrir acesso a um mercado de mais de mil milhões de consumidores. Os especialistas advertem, contudo, que a eliminação de tarifas não será suficiente para garantir o crescimento das exportações nacionais.
Segundo o diagnóstico apresentado pelos consultores da UNECA Samuel Zita e Manuel Alberto, sobre as oportunidades e os desafios da estratégia de implementação e do plano de acção da ZCLCA, as exigências fitossanitárias impostas pelos países importadores continuam a constituir uma das «barreiras mais relevantes» para os produtos agrícolas, pecuários e alimentares produzidos no país.
Embora a estratégia nacional eleja o agronegócio como um dos sectores prioritários para a diversificação económica, persistem entraves ligados à certificação de qualidade, à rastreabilidade, aos laboratórios acreditados, ao controlo de pragas, à segurança alimentar e à harmonização de normas técnicas.
Sem o reforço destas capacidades institucionais, os consultores estimam que Angola poderá beneficiar formalmente do mercado continental, mas defrontar-se com dificuldades práticas para transformar a produção nacional em exportações competitivas e regulares.





