Na passada sexta-feira, a sala multiusos da Academia BAI recebeu a 1.ª Conferência Prisma Económico, organizada pelo Banco Angolano de Investimentos sob o tema “Finanças Sustentáveis”. O encontro reuniu gestores, técnicos do sector financeiro, académicos e jornalistas interessados em discutir um tema que tem vindo a ganhar cada vez mais espaço nas agendas económicas internacionais.
Entre os presentes encontravam-se administradores, presidentes de comissões executivas (PCEs) e presidentes de conselhos de administração (PCAs) de diversas empresas e instituições do grupo BAI, o que contribuiu para um ambiente de discussão próximo das decisões que atravessam o sector financeiro.
A sessão começou com intervenções institucionais que enquadraram a iniciativa na revista Prisma Económico, uma nova publicação ligada ao banco dedicada à análise económica e à promoção da literacia financeira. Inokcelina de Carvalho, administradora executiva do BAI, apresentou o projecto como um espaço de reflexão sobre temas que influenciam o funcionamento da economia e o comportamento dos consumidores financeiros.
O debate avançou depois para um dos temas centrais da conferência: ESG, a sigla que reúne critérios ambientais, sociais e de governação e que tem vindo a ganhar importância crescente nas decisões de investimento e na gestão das instituições financeiras.
Nesse contexto, Mário Nascimento, presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), sublinhou que o ESG deixou de ser apenas um tema reputacional para passar a integrar a própria gestão de risco das instituições financeiras. Num cenário em que investidores e reguladores exigem níveis cada vez maiores de transparência, o responsável alertou para o fenómeno do greenwashing, associado a situações em que compromissos ambientais ou sociais anunciados pelas empresas não correspondem plenamente às práticas adoptadas.
Segundo Mário Nascimento, a sustentabilidade deve ser entendida de forma abrangente, incluindo não apenas as instituições financeiras, mas também as cadeias de fornecedores e parceiros com quem trabalham, reforçando assim a credibilidade das práticas adoptadas.
O programa da conferência prosseguiu com intervenções dedicadas ao pilar ambiental. Giza Martins, da Sun Africa, abordou o papel das instituições financeiras na resposta a desafios globais como alterações climáticas, perda de biodiversidade e poluição, destacando a importância do financiamento sustentável na orientação das decisões económicas.
Os painéis seguintes aprofundaram os três pilares do ESG. O painel ambiental abordou temas como transição energética, risco climático e produtos financeiros verdes, enquanto o painel social trouxe para o debate questões ligadas à inclusão financeira, educação e impacto comunitário.
Nesse contexto foram apresentados alguns exemplos concretos, incluindo iniciativas ligadas à Academia BAI, com foco na formação e empregabilidade, bem como projectos da Fundação BAI de apoio a estudantes. Também foram discutidas soluções digitais de pagamento e modelos de seguros inclusivos dirigidos a públicos tradicionalmente menos abrangidos pelo sistema financeiro formal.
Na parte final da conferência, o debate centrou-se no terceiro pilar do ESG: governação. Regulamentação, compliance e inovação nos mercados financeiros foram temas abordados, com destaque para a importância de reforçar práticas de transparência e gestão responsável no sector.
Para um primeiro encontro deste tipo, ficou sobretudo a percepção de abertura de um espaço de diálogo em torno de temas que tendem a ganhar cada vez mais relevância no sector financeiro. As discussões sobre finanças sustentáveis, inclusão financeira e governação das instituições evidenciam uma agenda que acompanha as transformações em curso na economia.
No final do encontro, ficou também clara a intenção de apresentar ao público a revista Prisma Económico, uma nova iniciativa editorial do BAI dedicada à análise económica e à promoção da literacia financeira. A publicação pretende reunir especialistas, gestores e académicos em torno de temas que influenciam o funcionamento da economia e do sistema financeiro.
À medida que os participantes deixavam a sala e as conversas continuavam nos corredores da Academia BAI, permanecia a ideia de que o encontro contribuiu para reforçar um espaço de reflexão sobre o papel das finanças na construção de uma economia mais sustentável e inclusiva.




