O presidente da Comissão Executiva da NOSSA Seguros, Alexandre Carreira, manifestou preocupação com o peso reduzido dos fundos de pensões na economia angolana. Actualmente, os activos sob gestão equivalem a 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), uma proporção considerada baixa quando comparada a outros países da região da SADC, como a Namíbia, onde o sector ultrapassa os 100% do PIB.
O alerta foi lançado durante a II Conferência E&M sobre Fundos de Pensões, dedicada ao tema “Futuro dos Fundos de Pensões em Angola: Reforma, Regulação e Sustentabilidade”. Para o gestor, os números demonstram simultaneamente a dimensão do desafio e o potencial de crescimento do segmento em Angola.
“A sustentabilidade dos fundos de pensões depende directamente da capacidade de gerar rendimentos. Isso exige gestão profissional, controlo de riscos e estratégias de investimento claras”, afirmou Alexandre Carreira.
O executivo sublinhou a necessidade de reforçar a qualificação dos gestores e de garantir maior transparência, com a publicação regular de relatórios claros sobre a performance dos fundos. Defendeu ainda um equilíbrio entre custos e benefícios, salientando que as taxas de gestão devem manter-se em níveis razoáveis para assegurar a confiança no sistema.
Outro ponto crítico destacado foi o impacto do contexto macroeconómico. Segundo Carreira, a depreciação do kwanza e a alta inflação corroem o poder de compra dos pensionistas, enquanto as taxas de juro mais baixas reduzem os rendimentos dos títulos de dívida e dos depósitos bancários.
“Se os investimentos não acompanharem o ritmo da inflação, o sector continuará sob pressão, sobretudo para os fundos com perfis conservadores”, alertou.
Apesar dos constrangimentos, o presidente da NOSSA Seguros considera que Angola dispõe de um amplo espaço para expansão do mercado de pensões, desde que sejam asseguradas condições de regulação eficaz, estabilidade macroeconómica e maior cultura de poupança de longo prazo.
A conferência, organizada pela Economia & Mercado em parceria com a NOSSA Seguros, reuniu reguladores, operadores financeiros e especialistas internacionais, tendo como pano de fundo a necessidade de modernizar o sistema de pensões angolano e alinhá-lo com as melhores práticas regionais e globais.





