O Banco de Fomento Angola (BFA) dará início amanhã à sua Oferta Pública de Venda (OPV), a maior operação do género já realizada no país, envolvendo 4,46 milhões de acções, equivalentes a 29,75% do capital social. A operação insere-se no Programa de Privatizações (PROPRIV) do Governo e promete tornar-se um marco na história do mercado de capitais angolano, tanto pelo volume como pelo perfil da instituição em causa.
O preço das acções será definido em Bolsa, dentro de um intervalo entre 41.500 e 49.500 kwanzas, em função da procura registada no período de subscrição, que decorre até 25 de Setembro. A admissão à negociação na BODIVA está prevista para 30 de Setembro.
O BFA chega a este processo de abertura de capital numa posição financeira sólida e com indicadores que sustentam a confiança dos investidores. Entre 2022 e 2024, o banco registou um crescimento médio anual de 19% no seu balanço, impulsionado pelo aumento da base de depósitos e pela expansão da carteira de crédito. Os depósitos a prazo representam 57% da carteira, e o peso da moeda estrangeira tem vindo a crescer, reflexo da desvalorização do kwanza.
Na carteira de crédito, a evolução tem sido expressiva: Um crescimento médio de 29% ao ano, acompanhado por melhorias na qualidade dos activos. O rácio de crédito vencido caiu de 3,1% para 1,5% e o nível de NPL desceu de 13,4% para 7,7% no mesmo período. A cobertura de imparidades aumentou para 484,8%, demonstrando prudência na gestão de risco.
A carteira de títulos e valores mobiliários também evoluiu de forma consistente, crescendo a 24% ao ano, alinhada com a expansão da base de financiamento.
Em termos operacionais, o produto bancário atingiu 705 mil milhões Kz em 2024, com destaque para a margem de intermediação estável em 9,6% e para o crescimento de 58% na margem complementar, alavancada sobretudo pelas comissões. A eficiência operacional manteve-se em níveis de referência, com o rácio cost-to-income fixo em 38%, permitindo alcançar um ROAE consistentemente acima de 30% nos últimos três anos.
A robustez de capital é outro pilar: Os rácios de solvabilidade superaram os 40% entre 2022 e 2024, mais do que o dobro do exigido pelo regulador (16,3%).
Para os investidores, o banco tem-se revelado uma fonte de retorno estável: Desde 2021, a política de dividendos distribui entre 50% e 60% dos lucros, com destaque para o dividendo extraordinário de 161 mil milhões Kz, aprovado em 2021 e liquidado em três prestações até 2023.
Na cerimónia de lançamento da OPV, o presidente do IGAPE, Álvaro Fernão, sublinhou que a operação “não é apenas um desinvestimento, mas um sinal claro de confiança na economia angolana, na transparência do mercado de capitais e na capacidade do BFA de continuar a crescer com solidez e rentabilidade”.
Fundado em 1993, o BFA é actualmente o segundo maior banco angolano, com 3,2 milhões de clientes, 194 balcões e presença em todas as províncias.





