Grupo de artístas plásticos das mais diferentes faixas etárias e correntes artísticas recorreram a linguagens pictorescas multifacéticas para recordar a população o papel crucial dos pescadores na sociedade.
Da digna homenagem recebida na clássica canção “Luanda Serena”, da renomada Yola Araújo, já lá se foi o tempo em que os pescadores eram respeitados, valorizados e devidamente reconhecidos por, entre outros aspectos, colocarem o bom peixe do mufete nos pratos dos angolanos, seja em casa, seja nas pequenas barracas da cidade capital.
No sentido de resgatar estes tempos de glória da profissão, ultimamente bastante menosprezada, que um grupo de artístas plásticos uniu-se para apresentarem publicamente nesta sexta-feira, 18 de julho, em Luanda, a exposição colectiva intitulada “Pesca Artesanal”.
Sob curadoria de Jardel Selele, a exposição foi pensada para “mostrar a importância de homens e mulheres que se dedicam à pesca, chamando a atenção do quão crucial é este trabalho para a sustentabilidade não apenas de suas famílias mas de toda uma sociedade”, consoante afirmou o artista.
A exposição é composta por 23 obras, datadas de 2008 a 2025, da autoria de seis artistas, nomeadamente: Alves Manuel, Horácio Katchanja, Ima Tchitanga , Jardel Selele, Lausa Marques, Sozinho Lopes, Tatiana Ana e Ualongua Mumbu. Cada um dos artistas, com as suas habilidades, perspectivas e técnicas deu vida a “pesca artesanal” angolana, desde a voz, os corpos, passando pelas abstrações até ao misticismo jamais pelo mar revelado.
Para Ima Tchitanga, uma das artistas, não se trata apenas (de os pescadores) colocarem o peixe nos nossos pratos, mas da profunda conexão entre eles e o mar nesse processo, a seu ver, metafísico. “A conexão que eles tem não é só sobre a pesca, mas sobre eles estarem no mar e o mar estar dentro deles, dado que passam a maior parte do tempo no mar. Ao observar os pescadores da Ilha (de Luanda), pude notar uma forte sincronização entre eles, na madrugada fria… então, a partir disso, busquei desafiar a percepção convencional e trazer estas perspectivas”, disse a jovem Licenciada em artes, que não esqueceu de colocar a lenda da Kianda em um de seus quadros.
A exposição colectiva, inspirada nas vivências do curador, Jardel Selele, com o mar, bem como pela dificuldade vivida pelos pescadores durante o encerramento do mercado da Mabunda pode ser visitada pelo público em geral gratuitamente, no Edifício Sky One, Kinaxixi, de 18 de julho a 2 de agosto do corrente ano.





