Cinquenta e um alunos das turmas da 8.ª e 9.ª classes do Complexo Escolar n.º 9019, na Camama, visitaram esta quarta-feira, 25 de Março, o Centro de Ciências de Luanda (CCL) para a segunda edição de “Histórias para Conservar” — uma iniciativa de educação ambiental que combina leitura de contos ilustrativos com sensibilização para a biodiversidade angolana. A sessão ficou marcada tanto pelo entusiasmo dos participantes como pelo contraste entre os recursos do CCL e as condições das suas salas de aula.
A sessão foi conduzida por Joaquim Tomás, biólogo e cientista da Fundação Kissama, tendo como base o livro Aura, A Andua Exploradora. Os alunos foram divididos em dois grupos — 23 e 28 participantes, respectivamente —, seleccionados pela Subdirectora Pedagógica do Complexo, Dorca Manuel, com base no desempenho e conduta escolar. A edição anterior contara com dez participantes adicionais.
Aprender o que a escola não ensina
Para vários dos presentes, a sessão supriu uma lacuna do currículo escolar. “Achei a sessão de hoje muito boa, pois pude aprender que Angola tem 50 espécies de aves raras que precisam de ser preservadas”, disse Cristina Vemba, da 8.ª classe. O colega Mendes Londa, também da 8.ª classe, foi mais directo: a temática era “quase uma lição inexistente” na sua turma, por falta de uma disciplina específica de educação ambiental.
Londa destacou ainda a diferença de meios entre o espaço do CCL — equipado com tela e retroprojetor — e as instalações a que os alunos estão habituados no complexo escolar. A observação, espontânea e partilhada por outros participantes, expôs uma desigualdade que a iniciativa, pela sua natureza, não resolve mas torna visível.
Para Joaquim Tomás, o propósito da segunda edição era preciso: “consciencializar os alunos sobre a importância da conservação dos habitats da ave Aura, embora ainda fora do risco de extinção.”
“Histórias para Conservar” resulta de uma parceria entre o CCL e a Fundação Kissama, e prevê nove edições no total. O programa assenta na narração e leitura de contos ilustrativos como instrumento de educação ambiental, com foco na conservação da biodiversidade de Angola.





