As relações económicas entre Angola e a China ganharam, nos últimos anos, uma dimensão que exige instrumentos financeiros cada vez mais adequados à realidade dos dois mercados. Quando uma parte significativa do comércio é realizada com empresas chinesas, a existência de mecanismos eficientes para efectuar pagamentos, liquidar operações e gerir diferentes moedas deixa de ser apenas uma questão bancária. Passa a ser uma condição para reduzir custos, facilitar negócios e dar maior previsibilidade às empresas.
Para a economia angolana, esta questão é particularmente relevante. Importadores precisam de pagar fornecedores, empresas procuram equipamentos e investidores avaliam projectos com parceiros chineses. Em muitas destas operações, a utilização de moedas intermediárias acrescenta etapas e exposição cambial. A possibilidade de realizar determinadas operações directamente em renminbi pode, dependendo das condições de cada negócio, simplificar processos e criar uma alternativa para os agentes económicos. É também uma forma de acompanhar a crescente importância da China nas relações comerciais e de investimento de Angola.
O acordo recentemente celebrado entre o Banco Angolano de Investimentos (BAI) e o Bank of China, Sucursal de Luanda é um passo importante. O memorando estabelece as bases para uma conta de compensação em renminbi, serviços de liquidação e compensação nesta moeda e para o acesso indirecto do BAI ao Cross-Border Interbank Payment System (CIPS), através do banco chinês. Mais do que a assinatura de um acordo entre duas instituições, começa a ser construída uma ligação financeira mais directa entre empresas angolanas e o mercado chinês.
Do ponto de vista económico, o principal valor desta parceria estará na sua capacidade de transformar conectividade financeira em actividade económica. Um sistema de pagamentos mais ajustado ao comércio com a China pode facilitar operações de importação e exportação e reduzir alguns custos e incertezas associados às transacções internacionais. Para o BAI, representa também uma etapa na internacionalização dos seus serviços. Para a economia, o interesse maior está na possibilidade de as empresas encontrarem novas condições para negociar, investir e financiar operações com parceiros chineses.
O passo seguinte deve ser fazer com que esta infraestrutura chegue efectivamente às empresas, sobretudo às que têm menor capacidade para estruturar operações internacionais. Isso exige produtos competitivos, informação clara, rapidez na execução e soluções de financiamento associadas ao comércio. A parceria poderá ganhar maior dimensão se for acompanhada por instrumentos que aproximem o sector produtivo dos mercados externos. No comércio internacional, uma ponte financeira só cumpre plenamente a sua função quando permite que mais empresas atravessem para o outro lado.





