Refinaria do Lobito: Sonangol confirma 1,4 mil milhões de dólares investidos e negoceia 4,8 mil milhões adicionais com a China

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Estrutura accionista ainda não fechada. Zâmbia mantém pretensão a 15% do capital mas Sonangol diz que Lusaca “tem que provar o interesse”. Projecto global avaliado em 6,2 mil milhões de dólares é o maior investimento em infra-estrutura energética da história de Angola.

A Sonangol confirmou ter investido 1,4 mil milhões de dólares em fundos próprios na refinaria do Lobito, o maior projecto de infra-estrutura energética em curso em Angola. Em simultâneo, a empresa encontra-se em negociações avançadas com entidades financeiras chinesas para obter financiamento adicional de 4,8 mil milhões de dólares, correspondente à fase seguinte de um projecto global avaliado em 6,2 mil milhões de dólares.

A informação foi confirmada pelo PCA da Sonangol, engenheiro Gaspar Martins, em resposta a questões colocadas durante a conferência de imprensa de balanço anual. O Ministério das Finanças havia já feito referência ao acordo em negociação no plano anual de endividamento, sem que os detalhes tivessem sido publicamente esclarecidos. Uma fonte jornalística havia igualmente noticiado a transferência de 2.000 milhões de dólares para a Sonangol, avançada como tendo origem chinesa — dado que a administração não confirmou nem desmentiu.

O empreiteiro principal da obra é a CSEC, empresa de origem chinesa, e a Sonangol mantém equipas permanentes na China para avançar nas negociações de financiamento, com uma nova missão prevista para Abril. A gestão técnica do projecto é partilhada com uma empresa americana de engenharia, que se encontra igualmente envolvida no processo de obtenção de financiamento. “Nós estamos bem avançados”, afirmou Gaspar Martins, assinalando que a construção prossegue independentemente do desfecho das negociações financeiras.

As imagens divulgadas durante uma visita presidencial a Benguela confirmaram que a infra-estrutura está erguida. A primeira fase da refinaria do Lobito está prevista para entrar em operação em 2027, produzindo gasóleo e outros produtos derivados, embora sem gasolina nessa fase inicial. A capacidade da primeira fase não foi divulgada na conferência.

A estrutura accionista da refinaria permanece por fechar. A Zâmbia reclama 15% do capital da instalação, posição que o ministro dos Transportes zambiano reiterou publicamente em entrevista recente. A Sonangol não confirmou nem negou a existência de conversações formais sobre essa participação, limitando-se a afirmar que “a Zâmbia, se está interessada, tem que provar” e que “há instrumentos jurídicos que podem ser assinados”. O administrador Larmino complementou a resposta com uma metáfora que traduz a posição da empresa: “Lubito, terra de comboios — quem quiser apanhar boleia tem que saltar na direção do movimento.”

A refinaria do Lobito é determinante para os objectivos de autossuficiência energética de Angola. Actualmente, o país assegura apenas 31% das suas necessidades em produtos refinados através de produção interna. O Corredor do Lobito — linha ferroviária que liga o porto à fronteira da República Democrática do Congo e potencialmente à Zâmbia — confere à localização um valor geoestratégico acrescido, tornando a refinaria um activo com relevância regional e não apenas nacional.

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