Num gesto de fraternidade artística, os músicos Filipe Mukenga e Moreira Chonguiça partilharam o palco do Prova D’Arte, em Luanda, num concerto que transformou melodias em esperança para Moçambique
No sábado, 8 de Fevereiro, a música assumiu o seu papel mais nobre: o de unir pessoas em torno de uma causa maior. O Prova D’Arte, em Luanda, acolheu um encontro artístico singular que juntou Filipe Mukenga e Moreira Chonguiça num concerto solidário organizado pela Embaixada de Moçambique em Angola, em colaboração com o Governo angolano.
Mais do que um espectáculo, o evento representou uma resposta criativa à tragédia humanitária que assola o sul de Moçambique, onde as cheias submergiram cerca de 88% do território de Chókwè, afectando mais de 170 mil pessoas.
“O drama das cheias não é apenas a perda de bens, é o naufrágio de uma vida inteira”, declarou a embaixadora Osvalda Joana, contextualizando a dimensão da calamidade que motivou esta iniciativa cultural. Mais de 700 mil pessoas foram afectadas em todo o país, incluindo cerca de 230 mil estudantes cujas escolas ficaram destruídas.
A performance dos dois artistas materializou a máxima de que a arte pode ser instrumento de transformação social. Os fundos angariados durante o concerto serão canalizados para a aquisição de bens essenciais — alimentos, medicamentos, material escolar, cobertores e apoio sanitário — numa região que perdeu mais de 45 mil hectares agrícolas.
“Cada doação, independentemente do valor, é crucial. Não estamos aqui porque somos fortes, estamos aqui porque somos unidos”, concluiu a embaixadora, numa afirmação que resume o espírito de um evento onde a cultura se afirma como veículo de solidariedade transfronteiriça.





