As acções da Tesla registaram queda acumulada de quase 8% nos cinco dias seguintes à divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos em finais de Janeiro, de documentos revelando correspondência regular entre o presidente executivo Elon Musk e o criminoso sexual Jeffrey Epstein, morto em 2019.
Os ficheiros incluem mensagem de correio electrónico de 2012 na qual Musk se convida para a notória ilha caribenha de Epstein, questionando quando ocorreria “a festa mais selvagem”, segundo reportagem do New York Times publicada em 30 de Janeiro. A revelação contradiz afirmações anteriores de Musk de que teria “recusado” convite de Epstein.
A desvalorização acrescenta pressão a fabricante automóvel já confrontada com múltiplos desafios operacionais e de mercado. A Tesla reportou em 2025 a primeira queda de receita anual da sua história, com vendas em declínio em três dos últimos quatro trimestres, segundo dados da NBC News. A empresa registou adicionalmente redução de 61% nos lucros do quarto trimestre de 2025 comparativamente ao período homólogo de 2024.
A concorrência europeia e chinesa intensificou-se. A fabricante alemã Volkswagen ultrapassou a Tesla como líder de vendas de veículos totalmente eléctricos na Europa em 2025, de acordo com dados divulgados pelo Yahoo Finance. A chinesa BYD também supera a Tesla em volume de vendas global, expandindo presença na Europa e consolidando posição como maior vendedor mundial de veículos eléctricos, segundo reportagem da BBC.
Musk anunciou recentemente encerramento da produção dos modelos S e X, convertendo a fábrica anteriormente dedicada a estes veículos em linha de montagem de robôs humanóides, parte de reorientação estratégica mais ampla afastando a empresa da venda de automóveis em direcção a robótica e inteligência artificial.
A Tesla não lançou modelo completamente novo desde a Cybertruck em finais de 2023, veículo que registou vendas abaixo das expectativas. “Um grande factor para o declínio é falta de novos produtos”, afirmou Stephanie Valdez Streaty, directora de análise sectorial da Cox Automotive, em declarações à Bloomberg. “Qualquer fabricante que não tenha novos produtos vai perder quota de mercado. A Tesla precisa de novos produtos.”
Problemas de controlo de qualidade e ausência de serviço ao cliente adequado constituem sinais adicionais de empresa que perdeu vantagem como pioneira no segmento de veículos eléctricos, segundo análise da Futurism.
A SpaceX, também dirigida por Musk, adquiriu recentemente a startup de inteligência artificial xAI, transformando a empresa espacial em conglomerado avaliado em USD 1,25 biliões e alimentando especulações de que a Tesla poderá eventualmente ser incorporada na mesma estrutura, segundo reportagem do Wall Street Journal. A operação pode indicar transferência de atenção de Musk. Como aponta a CNBC, o empresário deriva actualmente maior parte do seu património líquido da SpaceX do que da Tesla, representando ponto de viragem simbólico.
Apesar dos desafios, a Tesla mantém capitalização bolsista superior a USD 1,5 biliões, embora analistas considerem a avaliação excessivamente inflacionada face aos fundamentais financeiros.
Documentos Epstein e controversas de Musk
Jeffrey Epstein foi detido em 2019 sob acusações de tráfico sexual de menores e morreu na prisão em circunstâncias classificadas oficialmente como suicídio. Ghislaine Maxwell, colaboradora próxima de Epstein, foi condenada em 2021 por tráfico de menores.
Documentos judiciais divulgados periodicamente desde a morte de Epstein revelaram contactos de múltiplas figuras proeminentes com o financeiro, incluindo académicos, empresários e políticos. Musk negou repetidamente proximidade com Epstein antes da divulgação dos correios electrónicos.





