O destaque da relevância estratégica daquela plataforma logística aconteceu durante a primeira reunião plenária do Conselho Económico e Social (CES), que terminou ontem (domingo), no município da Baía Farta, 22 quilómetros a Sul da cidade de Benguela.
Na ocasião, os participantes sublinharam o papel do corredor como eixo fundamental para a integração regional, o escoamento de minerais e produtos agrícolas, bem como para o fortalecimento das ligações comerciais entre Angola e os países do interior da África Austral.
Segundo o comunicado final distribuído à imprensa, os membros reunidos em Conselho consideraram ainda que o projecto poderá impulsionar o desenvolvimento económico, a criação de empregos e o aumento da competitividade logística do país.
Os trabalhos decorreram ao longo de todo o dia, organizados por áreas temáticas, designadamente Económica, Social e Empresarial, com apresentações técnicas seguidas de debates amplos, participativos e orientados para propostas de soluções estruturais e estratégicas.
Na área Económica, foram apresentados e debatidos os temas relativos à defesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME), com destaque para as elevadas taxas de falências empresariais, a paralisação de parques industriais e os desafios da sua integração económica, bem como sobre o Corredor do Lobito, enquanto eixo estratégico para a dinamização económica regional, integração logística e promoção das exportações.
Já na área Social, foram analisadas a investigação e produção científica como estratégia multidimensional para o desenvolvimento sustentável de Angola, assim como a Segurança Alimentar e a Agricultura Familiar, enquanto pilares essenciais para a redução da pobreza, a coesão social e a estabilidade das comunidades rurais.
Na área Empresarial, foram debatidos o crescimento demográfico em Angola e os seus impactos sobre o mercado de trabalho, os serviços sociais e o planeamento económico, bem como a soberania alimentar sustentável, associada à necessidade de fortalecer a cadeia de valor agroalimentar e reduzir a dependência externa.
Foram também evocadas a centralidade da ciência, tecnologia e inovação como instrumentos transversais de modernização produtiva e melhoria da competitividade nacional, a importância da agricultura familiar e da segurança alimentar como bases para a estabilidade social, geração de rendimento e combate à pobreza.
Destacaram, também, a necessidade de alinhar o crescimento demográfico com políticas activas de emprego, educação e planeamento urbano; e o papel determinante da agro-indústria na criação de valor acrescentado, na promoção da soberania alimentar e no fortalecimento das economias rurais.
A reunião plenária reafirmou o CES como um espaço privilegiado de reflexão estratégica e produção de recomendações fundamentadas, capazes de apoiar o Titular do Poder Executivo na formulação e ajustamento de políticas públicas orientadas para o desenvolvimento sustentável e inclusivo em Angola.
As discussões foram caracterizadas por um elevado nível técnico, realismo na análise dos constrangimentos e forte orientação para soluções práticas, reflectindo a maturidade institucional do Conselho e a diversidade de experiências representadas.
O CES regista e agradece, segundo o comunicado final, de forma muito especial, ao Titular do Poder Executivo por ter autorizado e permitido a organização e a realização da primeira reunião plenária fora de Luanda, cujas condições logísticas foram as mais adequadas e de elevado padrão institucional.
Ao encerrar os trabalhos, o coordenador do CES, José Octávio Serra Van-Dúnem, sublinhou á importância da continuidade do diálogo estruturado entre os diferentes sectores da sociedade, bem como da transformação das conclusões do CES em recomendações operacionais que contribuam efectivamente para a melhoria das condições de vida dos cidadãos e para o fortalecimento do desenvolvimento e da coesão nacional.
Segundo o governante, esta 1ª Reunião Plenária do CES de 2026 constituiu, assim, um momento relevante de reflexão estratégica nacional, reafirmando o compromisso do Conselho Económico e Social com a promoção do desenvolvimento económico, social e empresarial de Angola.
José Octávio Serra Van-Dúnem explicou que a realização da reunião fora da capital do país reafirma o compromisso do CES com a descentralização da reflexão estratégica nacional, aproximando o debate sobre políticas públicas das realidades territoriais concretas e a promoção de uma participação mais inclusiva dos diferentes actores económicos e sociais.
A sessão de abertura contou com palavras de boas-vindas do coordenador do CES, que destacou o papel do Conselho enquanto órgão de reflexão do Presidente da República vocacionado para a análise técnica e formulação de reflexões estratégicas sobre os grandes desafios do desenvolvimento nacional ao Titular do Poder Executivo.





