Administração Trump encerra maior biblioteca da NASA e ameaça destruir documentação histórica

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Encerramento do centro de documentação do Goddard Space Flight Center coloca em risco materiais da era Apollo não digitalizados, segundo porta-vozes da agência espacial.

A administração Trump está a encerrar a maior biblioteca da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA), localizada no Goddard Space Flight Center (GSFC) no estado de Maryland, e ameaça destruir número indeterminado de livros, documentos e revistas científicas no processo, revelou o site de tecnologia Futurism.

Segundo informação divulgada pelo jornal The New York Times citada pelo Futurism, muitos destes materiais nunca foram digitalizados nem estão disponíveis noutros locais. Jacob Richmond, porta-voz da NASA, confirmou ao jornal nova-iorquino que a agência espacial vai rever o acervo da biblioteca durante os próximos 60 dias, sendo que parte do material será armazenado num depósito governamental enquanto o restante será descartado.

A decisão surge num contexto de profunda incerteza orçamental para a NASA. A proposta da administração Trump prevê cortar o orçamento científico da agência espacial em metade, medida descrita por especialistas como um ponto de inflexão “de extinção” para a exploração espacial e a ciência nos Estados Unidos. O Congresso, por seu lado, aprovou em 12 de Novembro resolução de curto prazo que deixa o governo até 31 de Janeiro para ratificar o orçamento da NASA.

Jared Isaacman, ex-turista espacial da SpaceX recentemente empossado como administrador da NASA, contestou a narrativa do The New York Times. “Em momento algum a NASA está a ‘deitar fora’ materiais científicos ou históricos importantes, e esse enquadramento levou a vários títulos enganadores”, escreveu Isaacman na rede social X. A declaração parece contradizer o porta-voz da agência, que tinha indicado ao jornal que parte do material seria descartado após o período de revisão.

Bethany Stevens, porta-voz de imprensa da NASA, caracterizou a iniciativa como “consolidação, não encerramento”, explicando que a administração Trump planeia fechar 13 edifícios e mais de 100 laboratórios no campus do GSFC até Março. Stevens afirmou que as medidas fazem parte de plano de reorganização concebido em 2022, anos antes de Donald Trump assumir a presidência. Segundo o Futurism, sete outras bibliotecas da NASA já foram encerradas desde 2022, três das quais em 2025.

Em Novembro, funcionários da NASA levantaram preocupações sobre o esvaziamento sem aviso prévio de mais de uma dúzia de edifícios no campus do GSFC. Os trabalhadores alertaram que equipamento altamente especializado corre risco de ser descartado como lixo comum.

O senador Chris Van Hollen, democrata por Maryland, criticou duramente a gestão da situação. “A administração Trump passou o último ano a atacar o NASA Goddard e a sua força de trabalho, ameaçando os nossos esforços para explorar o espaço, aprofundar o nosso conhecimento da Terra e estimular avanços tecnológicos que fortalecem a nossa economia e tornam a nação mais segura. Estes relatos de encerramentos no Goddard são profundamente preocupantes”, disse Van Hollen ao The New York Times.

Dave Williams, cientista planetário que aceitou reforma antecipada da NASA no ano passado, alertou para as consequências da perda de documentação histórica. “Não é como se fôssemos muito mais inteligentes agora do que éramos no passado. São as mesmas pessoas, e cometem o mesmo tipo de erros humanos. Se perder essa história, vai cometer os mesmos erros novamente”, afirmou Williams ao jornal nova-iorquino.

A biblioteca do GSFC contém documentação importante sobre os esforços para estudar o cosmos, remontando à era Apollo há mais de meio século.

Goddard Space Flight Center

O Goddard Space Flight Center, inaugurado em 1959, desempenhou papel fundamental no desenvolvimento dos telescópios espaciais James Webb e Hubble, além de inúmeras outras missões-chave da NASA. O centro tem sido responsável por avanços cruciais na observação astronómica e no estudo da Terra a partir do espaço.

A instalação emprega milhares de cientistas, engenheiros e técnicos especializados em áreas que vão desde astrofísica até ciências da Terra. O centro opera diversos satélites científicos e coordena programas de investigação essenciais para a compreensão do universo.

Matéria baseada em reportagem de Victor Tangermann publicada no site Futurism a 2 de Janeiro de 2026.

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