Banco de Desenvolvimento de Angola financia empreendimentos nos sectores agrícola, industrial e turístico. Instituição registou crescimento de 60% na carteira de crédito em 2024.
O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) desembolsou 55 mil milhões de kwanzas em 2024 destinados à conclusão de projectos aprovados em anos anteriores, segundo informação divulgada pela instituição financeira. O montante representa esforço de materializar carteira de financiamentos já contratados nos sectores agrícola, industrial e turístico.
Manuel Oliveira, presidente do conselho de administração do BDA, revelou que banco registou crescimento de 60% na carteira de crédito durante o ano, reflectindo aceleração na execução de projectos de desenvolvimento económico. A instituição concedeu novos financiamentos totalizando 102 mil milhões de kwanzas em 2024, elevando carteira total para aproximadamente 400 mil milhões de kwanzas.
Foco em agricultura e substituição de importações
Os sectores agrícola e agroindustrial absorveram maior parte dos financiamentos, alinhados com estratégia governamental de substituição de importações e aumento da produção alimentar nacional. BDA apoiou projectos de produção de cereais, hortícolas, avicultura e transformação agroindustrial em múltiplas províncias.
Manuel Oliveira sublinhou que banco privilegiou projectos com impacto directo na segurança alimentar e geração de emprego, critérios prioritários na avaliação de pedidos de financiamento. “Focámos em empreendimentos que contribuem para redução da dependência de importações e criam cadeias de valor locais”, afirmou o responsável.
A instituição financiou igualmente projectos nos sectores de turismo, infra-estruturas e indústria transformadora, incluindo unidades de produção de materiais de construção, bebidas e produtos químicos. BDA não divulgou lista detalhada de projectos financiados nem identificou beneficiários específicos.
Desafios na execução e taxa de incumprimento
Apesar de crescimento na carteira de crédito, BDA enfrenta desafios relacionados com taxa de incumprimento e dificuldades de promotores em executar projectos dentro de prazos estabelecidos. Factores como atrasos em licenciamentos, dificuldades de importação de equipamentos e constrangimentos cambiais têm afectado cronogramas de implementação.
Manuel Oliveira reconheceu que banco está a trabalhar com clientes em situação de incumprimento para reestruturar operações e viabilizar conclusão de projectos. “Nosso objectivo não é recuperar garantias mas assegurar que projectos entrem em operação e gerem retorno”, explicou.
A instituição reforçou equipa de acompanhamento de projectos e implementou sistema de monitoria mais rigoroso para identificar atempadamente desvios em relação a planos de execução. BDA realiza visitas regulares a empreendimentos financiados e exige relatórios trimestrais de progresso.
Captação de recursos e sustentabilidade
O BDA opera com recursos próprios e linhas de crédito obtidas junto de instituições financeiras internacionais e bancos de desenvolvimento africanos. Banco captou em 2024 financiamento junto do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e Banco de Exportação e Importação da Índia (EXIM Bank) destinado a projectos específicos.
A sustentabilidade financeira da instituição depende de capacidade de recuperar créditos concedidos e gerar margens operacionais que cubram custos de funcionamento. BDA cobra taxas de juro subsidiadas em relação a bancos comerciais, mas superiores a custo de captação de recursos, procurando equilíbrio entre missão de desenvolvimento e viabilidade financeira.
Manuel Oliveira indicou que banco pretende manter ritmo de crescimento da carteira em 2025, concentrando esforços em sectores considerados prioritários pelo Executivo angolano. Instituição está a preparar linhas de crédito específicas para pequenas e médias empresas e cooperativas agrícolas.
Banco de Desenvolvimento de Angola
O BDA foi criado em 2006 como instituição financeira pública especializada em financiamento de projectos de desenvolvimento económico de médio e longo prazo. Banco actua principalmente através de crédito directo a promotores privados e públicos, não operando serviços bancários tradicionais como depósitos de particulares.
A instituição financia projectos com períodos de maturação longos e perfis de risco que bancos comerciais geralmente evitam, incluindo agricultura de sequeiro, turismo em zonas rurais e indústrias nascentes. Taxas de juro praticadas situam-se tipicamente entre 8% e 12% ao ano em kwanzas, inferiores a taxas de referência do mercado.
O BDA compete em alguns segmentos com Banco de Poupança e Crédito (BPC) e bancos comerciais que também oferecem linhas de crédito para agricultura e pequenas empresas, embora com condições geralmente menos favoráveis. Existência de múltiplas instituições financiando sectores semelhantes levanta questões sobre coordenação de políticas públicas e eficiência de alocação de recursos.
Angola dispõe de diversos fundos e programas de financiamento ao desenvolvimento, incluindo Fundo Activo de Capital de Risco Angolano (FACRA), Programa de Apoio ao Crédito (PAC) e linhas sectoriais específicas geridas por ministérios. Sobreposição de instrumentos e falta de dados consolidados dificultam avaliação de impacto agregado de políticas de financiamento ao desenvolvimento.





