A conciliação entre o aumento do emprego e da produtividade em Angola poderá ser uma realidade em 2030, caso a taxa de variação real do Produto Interno Bruto (PIB) se situe em 10 por cento, com meta no alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), plasmados na Agenda 2030 das Nações Unidas.
A perspectiva foi avançada pelo director-geral do Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, Alves da Rocha, anunciada, ontem, em Luanda, durante a sua intervenção no 7.° Encontro Anual sobre Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da China.
Alves da Rocha apontou o desemprego e a pobreza entre as principais causas que dificultam o seu desenvolvimento, numa altura em que o programa de diversificação da economia deve centrar-se no aumento da produção de energia eléctrica e construção de infra-estruturas, consideradas áreas fundamentais para a consolidação do PIB.
“A taxa de desutilização no país é das maiores do mundo, por isso é necessário que haja investimentos e uma Angola mais qualificada ao nível dos empregos, para melhorar a questão dos salários. Não será suficiente que Angola cresça 3,5 por cento ao ano, se quiser resolver os problemas da pobreza e do desemprego”, realçou.
Alves da Rocha falava durante a sua apresentação sobre as “Perspectivas da Economia Angolana”, no 7.° Encontro Anual sobre Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da China, que decorre até hoje, e tem como tema “O Sistema Industrial Moderno e o Desenvolvimento de Alta Qualidade”.
A actividade está ser organizada pela UCAN e pela RENMIN University, meio de intermediação da Embaixada da República Popular da China em Angola, que contou com a presença do seu embaixador, Zhang Bin, a encarregada de Negócios da Embaixada da China, Chen Feng, professores e investigadores das duas universidades.
O economista realçou, também, que a conciliação deve ser seguida com os ganhos de produtividade médios de 2.5 por cento ao ano.
Alves da Rocha disse que desde há muitos anos que se preocupa com a economia de desenvolvimento, principalmente em países subdesenvolvidos, passando depois outras designações impostas pela ONU, como países em vias de desenvolvimento, mais tarde países em desenvolvimento e recentemente em vias de diversificação.
“Mas nada aconteceu de significativo, desde que tenho estudado sobre os problemas de economia de desenvolvimento do mundo e de África, em particular. Angola continua com o ciclo vicioso do subdesenvolvimento, onde depois se constatou que a única forma de romper este ciclo era a poupança e a educação”, considerou.
O economista referiu que África continua com problemas de pobreza e de inserção na economia mundial.
Evolução do PIB em Angola
Alguns estudos indicam que o PIB em Angola estagnou a 0 por cento no segundo trimestre de 2025, em relação ao trimestre anterior. A taxa de crescimento do PIB em Angola teve uma média de 1,17 por cento de 2002 até 2025, atingindo o pico de 20,10 por cento no primeiro trimestre de 2006 e o mínimo recorde de 12,70 por cento no segundo trimestre de 2020.
Angola é o segundo maior produtor de petróleo de África. Como tal, a produção de petróleo é o sector principal da economia, representando cerca de 47 por cento do PIB total, 98 por cento das receitas de exportação e 75 por cento das receitas do Governo. Dentro do sector não petrolífero, as vendas por atacado e varejo (21 por cento do total da produção) e Agricultura e Pescas (10 por cento) são as maiores.
Outros sectores incluem a Construção (7,7 por cento), Manufactura (6 por cento) e Diamantes (1 por cento).
A taxa de crescimento do PIB em Angola deve ser de 0,70% no final deste trimestre, com projecções de 1,00% em 2026 e 0,80% em 2027, de acordo com estudos divulgados por especialistas.





