Estudo KPMG revela que 54% dos líderes empresariais dizem estar no caminho para zero emissões até 2030, mas custos são citados como obstáculo por 40% — proporção quatro vezes superior à média global. Apenas 47% incorporaram sustentabilidade plenamente nos negócios
Pouco mais de metade (54%) dos CEOs de empresas líderes em Angola afirma estar no caminho certo para atingir metas de zero emissões líquidas até 2030, mas o compromisso climático enfrenta barreiras estruturais graves que colocam em causa a viabilidade da transição verde, revela a primeira edição angolana do KPMG CEO Outlook 2025, divulgada esta segunda-feira.
O estudo identifica custos como principal obstáculo, citado por 40% dos CEOs angolanos (versus apenas 11% a nível global), enquanto 33% apontam a complexidade da descarbonização das cadeias de abastecimento como maior desafio (face a 25% globalmente). Apenas 7% identificam a falta de competências e conhecimentos especializados como barreira, contra 21% da média mundial.
A proporção de líderes confiantes nas metas climáticas em Angola (54%) fica abaixo da média global de 61%, reflectindo maior cepticismo quanto à capacidade de concretizar as ambições de sustentabilidade num contexto económico desafiante.
Sustentabilidade ainda não integrada nas decisões de capital
Apesar do compromisso declarado, apenas 47% dos CEOs angolanos afirmam ter incorporado totalmente a sustentabilidade nos seus negócios como elemento fundamental para o sucesso a longo prazo (versus 65% globalmente).
A integração permanece particularmente fraca nas decisões de investimento: somente 60% declaram que considerações de sustentabilidade estão totalmente integradas nas decisões de despesa de capital (capex), face a 29% a nível global — proporção que, embora superior à média internacional, sugere que quatro em cada dez empresas angolanas ainda não ponderam critérios ambientais ao decidir investimentos estruturantes.
IA emerge como ferramenta de descarbonização
Os líderes empresariais angolanos reconhecem crescentemente o potencial da Inteligência Artificial para apoiar esforços de sustentabilidade, com três principais casos de uso identificados:
— 87% vêem oportunidades para identificar eficiências de recursos através de IA (versus 79% globalmente)
— 80% apostam em melhorar qualidade de dados e reporte relacionados com sustentabilidade (79% global)
— 66% pretendem usar IA para reduzir emissões e melhorar eficiência energética (78% global)
“Estou optimista porque, apesar das condições macroeconómicas desafiadoras, os líderes continuam fortemente comprometidos com as questões de ESG”, afirma John McCalla-Leacy, Global Head of ESG da KPMG International, acrescentando que “o aumento da confiança em torno do objectivo de zero emissões líquidas envia um sinal positivo e pode ajudar a criar impulso para alcançar as metas colectivas de descarbonização”.
Pressão regulatória aumenta prioridade do reporte ESG
A conformidade com normas de divulgação tornou-se prioridade estratégica: 73% dos CEOs angolanos afirmam estar a priorizar compliance e normas de reporte ESG para responder às crescentes exigências de investidores e reguladores — proporção significativamente superior aos 51% registados globalmente.
McCalla-Leacy observa que “83% dos líderes afirmam que existe uma necessidade crescente de equilibrar abordagens locais e centralizadas que respondam às mudanças no cenário político, aos conflitos e ao impacto a curto e longo prazo das alterações climáticas nas comunidades em que operam”.
Revisão de metas para maior realismo
O documento sugere que a crescente confiança no cumprimento das metas climáticas pode dever-se ao facto de empresas estarem a rever e reavaliar as suas metas interinas “para que estas se tornem mais realistas e alinhadas com a estratégia core do negócio”, reconhecendo implicitamente que ambições iniciais eram excessivamente optimistas.
A confiança declarada contrasta com os obstáculos identificados, particularmente os custos proibitivos num contexto de acesso limitado a financiamento verde e volatilidade cambial que encarece tecnologias importadas (painéis solares, veículos eléctricos, equipamentos de eficiência energética).





