Queda da inflação dá lugar a corte de 0,5 por cento sobre a Taxa de Juros do BNA

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A redução da Taxa de Juro do Banco Nacional de Angola (BNA) de 19 para 18,5 por cento foi a principal deliberação da 126.ª Reunião do Comité de Política Monetária (CPM), realizada segunda e terça – feira na cidade do Dundo, Lunda-Norte.

Entre as decisões tomadas pelo órgão responsável pela gestão da política monetária, o destaque recai, também, para a redução das taxas de Juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez, de 20 para 19,5 por cento, a Taxa de Juro da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez saiu de 17 para 16,5 por cento.

Os dados foram avançados pelo governador do Banco Nacional de Angola, Manuel Tiago Dias, durante a conferência de imprensa que marcou o final da agenda de trabalhos do CPM na capital da Lunda-Norte, tendo justificado as medidas em função da tendência de desaceleração da taxa de inflação, a qual registou a mais baixa redução de 19 para 18 por cento, com provisões de se manter até ao final do ano.

A redução das taxas de juro, de acordo com Manuel Tiago Dias, justifica-se, por um lado, pela evolução favorável dos principais indicadores macroeconómicos, com destaque para “a desaceleração do coeficiente da inflação e, por outro lado, por uma avaliação dos indicadores monetários que sinalizam menores pressões inflacionistas no curto prazo”. 

Principais métricas

A taxa de inflação manteve a sua trajectória de desaceleração, destacando-se o facto de que a inflação mensal se fixou em 0,93 por cento em Outubro de 2025, face aos 1,01 por cento observado em Setembro. 

A classe de alimentação e bebidas não alcoólicas contribuiu com 0,64 pontos percentuais e representou 68,52 por cento da inflação total. O BNA constatou, igualmente, que a inflação homóloga se situou em 17,43 por cento face aos 18,16 por cento do mês anterior. 

O governador do BNA assegurou, igualmente, que a tendência de desaceleração da inflação deverá manter-se até ao final do ano, tendo em conta o nível de liquidez adequado à actividade económica, a maior disponibilidade de produtos de amplo consumo e a relativa estabilidade cambial.

A Base Monetária em moeda nacional contraiu 0,25 por cento durante o mês de Outubro, levando a contracção acumulada e homóloga para 7,92 por cento e 8,36 por cento, respectivamente. 

O agregado monetário em moeda nacional (M2) expandiu 1,13 por cento. 

As variações acumulada e homóloga fixaram-se em 13,16 por cento e 11,75 por cento, respectivamente, reflectindo o crescimento do crédito à economia. 

Stock do crédito

O stock de crédito à economia, em moeda nacional, atingiu 7,06 biliões de kwanzas em Outubro, representando uma variação acumulada de 17,36 por cento, ou seja, 1,04 biliões de kwanzas em termos absolutos. Comparativamente ao período homólogo, o crédito à economia, em moeda nacional, cresceu 21,85 por cento, correspondendo a 1,27 biliões de kwanzas.

No sector externo, o saldo superavitário da conta de bens, de acordo com os dados preliminares, reduziu em 46,63 por cento, tendo passado de 1,01 mil milhões de dólares dos Estados Unidos, em Setembro, para 539,47 milhões de dólares dos Estados Unidos, em Outubro de 2025.

Em termos acumulados, o saldo da conta de bens atingiu 12,48 mil milhões de dólares dos Estados Unidos, face aos 19,26 mil milhões de dólares dos Estados Unidos registados no período homólogo de 2024, representando uma redução de 35,21 por cento, ou seja, 6,78 mil milhões de dólares dos Estados Unidos. 

A redução do saldo superavitário da conta de bens, em termos acumulados, deveu-se ao efeito combinado da redução do valor das exportações em 17,03 por cento, ou seja, 5,23 mil milhões de dólares dos Estados Unidos, e ao aumento do valor das importações em 13,50 por cento, correspondente a 1,55 mil milhões de dólares dos Estados Unidos.

O stock das Reservas Internacionais fixou-se em 15,31 mil milhões de dólares dos Estados Unidos, correspondendo a um grau de cobertura de 7,87 meses de importação de bens e serviços. 

Para o ano de 2025, perspectiva-se uma taxa de inflação, no final do período, de 17,0 por cento, com um desvio de mais ou menos 0,5 pontos percentuais e, para 2026, as projecções preliminares apontam para uma taxa de inflação de 13,5 por cento. 

O Comité de Política Monetária aproveitou o ensejo para felicitar o povo angolano pela celebração do Jubileu da Independência Nacional, reafirmando o compromisso institucional do BNA de preservar a estabilidade de preços na economia, assegurando que a próxima reunião do CPM terá lugar na cidade de Luanda, nos dias 13 e 14 de Janeiro de 2026.

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