Volatilidade do Brent e tensões geopolíticas pressionam preços para média de USD 69 por barril, abaixo dos USD 70 orçamentados. China mantém-se como principal comprador mas reduz participação para 59,6%. Gás natural surge como estrela do trimestre com crescimento de 22%
Angola exportou 90,95 milhões de barris de petróleo bruto no terceiro trimestre de 2025, avaliados em USD 6,29 mil milhões, representando uma redução de 10,91% no volume face ao período homólogo de 2024, segundo dados divulgados pelo Secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Barroso, numa reunião realizada esta quarta-feira, 23 de Outubro, em Luanda.
Apesar da queda no volume anual, o trimestre registou crescimento sequencial de 7,19% face ao segundo trimestre de 2025, com o valor bruto das exportações a aumentar 9,25% no mesmo período comparativo, indicando recuperação após a quebra do segundo trimestre, quando a produção caiu para níveis críticos de menos de um milhão de barris diários em Julho.
O preço médio ponderado do barril angolano ficou em USD 69,163, praticamente alinhado com o Brent Datado que registou média de USD 69,127 no trimestre — ambos abaixo dos USD 70 por barril estipulados no Orçamento Geral do Estado para 2025, expondo a vulnerabilidade das contas públicas angolanas à volatilidade dos mercados internacionais de energia.
Geopolítica e economia global ditam preços
José Barroso caracterizou o terceiro trimestre como marcado por “trajectória volátil, com tendência de queda” no preço do Brent Datado, resultado de uma “combinação de factores desfavoráveis e favoráveis” que criaram um ambiente de incerteza persistente nos mercados petrolíferos globais.
Factores de pressão baixista identificados:
1. Desaceleração económica nas principais economias
O abrandamento sincronizado da China e Estados Unidos da América reduziu a procura global de crude, com a segunda maior economia mundial — principal comprador de petróleo angolano — a registar “algum decréscimo na actividade económica”, conforme reconhecido pelo governante angolano.
2. Crescimento de inventários nos EUA
O aumento dos stocks estratégicos norte-americanos sinalizou oferta excessiva no mercado, pressionando cotações para baixo.
3. Aumento da produção da OPEP+
A decisão da organização de exportadores de aumentar produção, revertendo cortes anteriores, injectou mais barris num mercado já sobre-fornecido.
4. Tarifas comerciais e tensões EUA-Índia
O incremento de tarifas norte-americanas sobre produtos indianos até 50% criou incertezas sobre fluxos comerciais, afectando indirectamente procura de energia.
5. Exportações russas resilientes
O aumento das exportações russas após ataques às suas refinarias (que teoricamente deveriam reduzir oferta) surpreendeu mercados, mantendo pressão sobre preços.
6. Cessar-fogo Gaza
O anúncio de trégua temporária entre Israel e Hamas reduziu prémio de risco geopolítico incorporado nos preços.
Factores de sustentação de preços:
1. Ataques ucranianos a infraestrutura russa
Drones ucranianos atingiram refinarias e instalações petrolíferas russas, perturbando fluxos de produtos refinados e criando incerteza sobre fornecimento.
2. Ofensivas israelitas regionais
Operações militares na Síria, Curdistão e contra Hamas no Qatar mantiveram tensão geopolítica no Médio Oriente, região crítica para fornecimento global.
3. Sanções ocidentais ao Irão e Rússia
Novas medidas restritivas dos EUA sobre exportações iranianas e da União Europeia/EUA contra Rússia limitaram oferta disponível no mercado.
4. Ameaça tarifária dos EUA
A intenção norte-americana de agravar tarifas sobre países que comercializam petróleo com Rússia criou receio de disrupção em cadeias de fornecimento.
5. Redução de stocks americanos
Apesar de crescimento em parte do trimestre, houve momentos de redução que aliviaram pressão baixista.
6. Corte de juros da Fed
A decisão da Reserva Federal de reduzir taxas estimulou expectativas de recuperação económica, sustentando sentimento de mercado.





