No painel “Macro e Micro: Fundos de Investimentos em Angola”, realizado durante a conferência sobre os dez anos de Angola no mercado de eurobonds, que teve no lugar no dia 14 do corrente mês em Luanda, o CEO da Standard Gestão de Activos traçou uma conexão direta entre o crescimento dos fundos mobiliários nacionais e a capacidade do país de depender menos de dívida externa.
Para António Catana, os eurobonds servem como mecanismo útil de diversificação do financiamento, mas não devem ser a única via. “Esses fundos, em três anos, podem multiplicar o valor por dez vezes”, defendeu. A ideia é que o mercado doméstico de capitais funcione como canal sustentável de financiamento para empresas e projetos angolanos.
Os fundos Standard Rendimento e Standard Obrigações já entregam rentabilidades líquidas acima de 25% e 20% ao ano, segundo Catana. Esses números impressionam em um contexto de taxas de juros globais elevadas e inflação interna pressionada.
A SGA iniciou em 2024 três fundos (Rendimento, Obrigações e Tesouraria) e em 2025 lançou o Standard Valor (aberto misto) com subscrição diária e investimento mínimo de 100 mil kwanzas.
Essa estratégia abriga dois propósitos: primeiro, oferecer alternativas de investimento para cidadãos comuns, não apenas investidores institucionais; segundo, internalizar parte do fluxo de capital que normalmente sairia para mercados externos. Para isso, a SGA diversificou os canais de distribuição: bancário, corretoras, app própria e plataformas digitais.
Entretanto, Catana reconheceu que há limitações sistémicas: a oferta de ações em Angola é escassa, o que empurra os investidores a buscar instrumentos de renda fixa ou mistos, mesmo que desejem exposição ao mercado acionário. A liquidez restrita ainda é uma barreira para que o mercado local de capitais alcance escala internacional.
Se a previsão de crescimento se mantiver, o Standard Obrigações pode tornar-se o maior fundo mobiliário do país ao longo da próxima década, segundo analistas. A SGA projeta que a crescente participação em fundos e o fortalecimento do mercado de capitais podem transformar a arquitetura do financiamento nacional.





