A taxa de inflação em Angola registou uma ligeira desaceleração em Setembro, passando de 18,88% em Agosto para 18,16%, segundo dados recentes do Banco Nacional de Angola (BNA). O abrandamento reforça a decisão do Comité de Política Monetária (CPM) de reduzir a taxa de juro de referência de 19,5% para 19%, medida que visa estimular o crescimento económico sem comprometer o controlo dos preços.
A meta do BNA é baixar a inflação para 17,5% até ao final do ano, um objectivo que, segundo economistas, é alcançável se a actual tendência se mantiver. No entanto, especialistas alertam que essa descida poderá ser temporária, tendo em conta o contexto macroeconómico adverso, marcado pela queda das receitas do Estado, a redução da produção petrolífera e o recuo do preço do barril abaixo da média prevista no Orçamento Geral do Estado (OGE) 2025.
“Mesmo que a inflação feche o ano abaixo de 17,5%, é provável que volte a subir no primeiro trimestre de 2026”, prevê um analista ouvido pela Revista Outside. “Com a pressão sobre as reservas em moeda estrangeira e a diminuição das receitas públicas, o BNA poderá voltar a elevar a taxa de juro de referência acima dos 19% para conter uma nova aceleração inflacionária.”
A política monetária mais restritiva tende, contudo, a beneficiar os investidores com aplicações em títulos de dívida. Taxas de juro mais altas tornam as novas obrigações emitidas pelo Tesouro mais atractivas, ao passo que os títulos actualmente negociados no mercado secundário podem registar desvalorizações.
Para os especialistas, este cenário poderá consolidar-se já no primeiro trimestre de 2026, quando a escassez de divisas e a pressão inflacionária obrigarem o banco central a rever novamente a sua política monetária.
Em síntese, a descida da inflação e da taxa de juro de referência representa um alívio momentâneo, mas o equilíbrio entre estímulo económico e estabilidade de preços continua a ser um dos maiores desafios para o BNA no curto prazo.





