Angola conta com apenas 4.500 dentistas para 21 províncias: défice agrava crise da saúde oral

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Angola dispõe de cerca de 4.500 médicos dentistas para atender uma população distribuída por 21 províncias — um número insuficiente face à crescente procura por cuidados de saúde oral no país.

A informação foi avançada por Eliane Graça da Piedade, presidente do Colégio de Especialidade de Medicina Dentária da Ordem dos Médicos de Angola, durante o 2.º Simpósio de Medicina Dentária, realizado sob o lema “Unir, valorizar e inovar: a nova era da medicina dentária em Angola”.

Segundo a responsável, a carência de profissionais é particularmente grave em várias províncias que não contam com nenhum dentista, obrigando muitos pacientes a deslocarem-se longas distâncias para receber atendimento. O Hospital Geral de Malanje, por exemplo, atende doentes vindos de outras regiões.

“Os hospitais públicos muitas vezes nem conseguem dar vazão a todos os pacientes”, lamentou Eliane Graça, acrescentando que a falta de assistência tem levado a um aumento preocupante de práticas caseiras e tratamentos com métodos tradicionais — como o uso de óleo de palma e ervas — que frequentemente resultam em complicações graves e até mortes.

Apesar do crescimento gradual do número de profissionais, Eliane Graça defende a criação urgente de uma Ordem dos Médicos Dentistas de Angola, independente da Ordem dos Médicos, que actualmente tutela a classe.

“Há mais de 20 anos que aguardamos pela criação da nossa Ordem. Pagamos cotas, temos cédulas profissionais, mas não temos direitos plenos nem participamos nas eleições”, criticou.

Angola conta actualmente com três universidades privadas que leccionam Medicina Dentária, além de um número reduzido de profissionais estrangeiros. Ainda assim, a distribuição desigual e a ausência de regulação de preços tornam o acesso a tratamentos dentários proibitivo para a maioria dos angolanos.

“Os custos variam bastante entre províncias. Em Luanda, por exemplo, as consultas são muito mais caras do que na Huíla. Com uma Ordem própria, poderíamos tabular valores máximos e mínimos para os serviços”, explicou.

A médica destacou ainda a importância da formação contínua como prioridade estratégica. “Capacitar os nossos quadros é essencial para o crescimento da profissão e para o desenvolvimento do país”, concluiu.

O 2.º Simpósio de Medicina Dentária decorre em Luanda, entre 9 e 10 de Outubro, reunindo especialistas nacionais e estrangeiros para discutir os desafios e oportunidades da saúde oral em Angola.

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