Homenagem às vozes que fizeram história, quando a rádio era rainha

Data:

Gente da Rádio foi, salvo erro, o título de uma saborosa reportagem do Jornal de Angola, publicada no caderno de fim-de-semana, ainda nos anos 90.

O título fazia jus ao espírito da época: a rádio, nesse tempo, tinha uma aura quase mística, uma presença central na vida nacional.

Os locutores e realizadores não eram apenas vozes anónimas; eram personalidades reconhecidas e cultuadas. Conhecíamos os nomes e, mais do que isso, reconhecíamos os estilos.

A rádio era escola e era palco. Já sabíamos que, se o Gilberto Júnior estivesse no Boa Noite Angola, por exemplo, o ouvinte podia esperar uma seleção criteriosa de música angolana, sempre da melhor. Se fosse o Drumond Jaime o fio condutor ganhava um viés histórico e memorialista, revisitando tempos, sons e memórias que nos ligavam à identidade profunda de Angola.

Essa centralidade da rádio fazia-se sentir também nos grandes eventos que mobilizavam gerações. Quem não recorda Os Caçulinhas da Bola, os programas de auditório, as emissões em direto que davam ritmo às manhãs de domingo e que eram vividas como verdadeiras festas coletivas?

A rádio era difusora de cultura, promotora de iniciativas sociais, veículo de informação credível e, sobretudo, criadora de comunidade.

Hoje, passadas décadas, esse património simbólico mantém-se vivo na memória coletiva. Por isso, é mais do que justo e significativo que, no próximo dia 11, a Funjada da Confraria dos Indígenas, dedicada ao mês de Outubro, renda homenagem à malta da rádio.

É um gesto de reconhecimento e de gratidão a todos aqueles que, com o seu timbre, o seu estilo e a sua paixão, moldaram gerações e ajudaram a escrever capítulos importantes da nossa história cultural.

Celebrar a rádio é celebrar também a criatividade, a resistência cultural e a capacidade de fazer muito com poucos meios. É valorizar homens e mulheres que, através das ondas hertzianas, nos ensinaram a sonhar e a acreditar no poder da palavra, da música e da memória partilhada.

A Confraria da Funjada dos Indígenas, liderada pelo Salas Neto , acerta em cheio ao escolher este tributo. Um bem-haja pela escolha e pela oportunidade de reavivar no presente a chama de uma das instituições mais queridas da nossa vida colectiva: a rádio angolana.

spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img
spot_img

Partilhe com amigos:

Notícias no E-Mail

spot_img

Popular

Artigos relacionados
Artigos relacionados

Utentes satisfeitos com novo sistema de validação de comprovativos do BAI

Utentes do Banco Angolano de Investimentos (BAI), residentes em...

Banco BCS leva ao Angola Oil & Gas oferta de financiamento para empresas do sector

Administradora executiva Odyle Cardoso dos Santos participa na quinta-feira...

Pumangol distinguida pela valorização do seu capital humano

Reconhecimento resulta de uma pesquisa nacional sobre benefícios e...

Fundação BAI abre bibliotecas no Luena e em Cassengo e chega às 16 unidades

Rede Bibliotecas do Kandengue prevê atingir 30 espaços até...