A Palanca Negra Gigante — símbolo maior da biodiversidade e da identidade nacional de Angola — recuperou parte da sua população nas últimas duas décadas, mas mantém-se em risco crítico de extinção. O alerta é do coordenador do Projecto Palanca Negra Gigante, Pedro Vaz Pinto, que defende um reforço urgente das acções de protecção e maior envolvimento da sociedade civil para garantir a sobrevivência da espécie.
Segundo o investigador, estima-se actualmente em cerca de 300 os exemplares existentes nos parques nacionais da Cangandala e do Luando, número que representa pouco mais de 10% da população registada há 50 anos. “Já estivemos em piores condições e a recuperação tem sido significativa, mas a espécie está longe de estar fora de perigo”, afirmou. A meta para reclassificação da espécie de “criticamente em perigo” para “em perigo” é de cerca de 500 indivíduos, decisão que caberá à União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A caça furtiva permanece como a principal ameaça. Armadilhas ilegais continuam a ferir um em cada quatro animais monitorizados, e no mês passado um macho com coleira GPS foi encontrado morto por caçadores. A pressão demográfica e a expansão urbana também reduzem o habitat natural, agravando o risco. Actualmente, a fiscalização é feita pelo Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC), com apenas 50 fiscais para cobrir duas áreas protegidas vastíssimas — número considerado insuficiente. “Não se trata apenas de ter mais homens, mas também de melhores meios e de garantir que os crimes de caça furtiva sejam efectivamente punidos pelas autoridades judiciais”, sublinhou Vaz Pinto.
Para além da vigilância, o projecto aposta no monitoramento científico, na educação ambiental e no trabalho directo com as comunidades locais, vistas como peças-chave para a preservação da Palanca. Uma das propostas em estudo é o desenvolvimento de um ecoturismo sustentável que gere receitas para as populações vizinhas e estimule o orgulho nacional. “Mais do que a vertente económica, é fundamental que os angolanos possam ver a Palanca. É um símbolo nacional. Gostaria que alunos, deputados, ministros e todos os cidadãos tivessem essa oportunidade”, disse.
Apesar dos desafios, Pedro Vaz Pinto acredita que, com esforço continuado, Angola poderá retirar a Palanca Negra Gigante da categoria de risco crítico num horizonte de cinco a dez anos. “É uma questão de compromisso colectivo, porque estamos a falar de um património único que pertence a Angola e ao mundo”, concluiu.





