O Sector Empresarial Público (SEP) angolano entrou em 2025 com uma carteira de activos mais robusta e menor dependência de capitalizações do Estado, mas continua a enfrentar desafios de rentabilidade. Os dados do relatório apresentado no Encontro do SEP, encerrado esta semana pela ministra das Finanças, Vera Daves de Sousa, traçam um retrato inédito das contas do sector e apontam o caminho para racionalizações e privatizações selectivas.
Entre 2023 e 2024, o activo total das empresas públicas subiu de 36,2 para 39,5 biliões de kwanzas, enquanto o passivo aumentou de 23,2 para 25 biliões. O capital próprio cresceu 12%, atingindo 14,5 biliões. O volume de negócios atingiu 12,8 biliões de kwanzas – um salto expressivo face ao período anterior.
No entanto, o resultado líquido agregado caiu 13%, para 788 mil milhões de kwanzas, sinalizando que o aumento da actividade ainda não se traduz em maior lucro líquido ou sustentabilidade a longo prazo.
O dado mais expressivo é a redução das capitalizações do Estado: de 422 mil milhões de kwanzas em 2022 para 147 mil milhões em 2024 — menos 65%. Para a ministra das Finanças, o movimento prova que “o Estado não pode continuar a ser financiador de última instância” e que a prioridade passa por “racionalizar estruturas, reestruturar empresas viáveis e privatizar as inviáveis ou não estratégicas”.
Para analistas, este é um ponto de inflexão. “Historicamente, as empresas públicas absorviam recursos orçamentais sem contrapartida proporcional em qualidade de serviços. A redução das capitalizações sinaliza maior disciplina fiscal e obriga a profissionalizar a gestão”, afirma o economista Alexandre Manuel, ouvido pela Outside.
O discurso oficial aponta para uma mudança de paradigma. O Governo quer passar de financiador a regulador firme e accionista responsável, privilegiando a disciplina orçamental e a competitividade. Na prática, isso significa menos subsídios e mais exigência sobre resultados, inovação e transparência.
Para dar visibilidade ao caminho a seguir, o Ministério das Finanças e o IGAPE distinguiram empresas-modelo como Sonangol, Unitel, Endiama e BODIVA, que mantêm rácios de rentabilidade acima da média e governança mais próxima dos padrões internacionais.





