Mini-documentário será apresentado a 10 de Setembro na Universidade Católica e dá voz ao desgaste emocional dos profissionais de saúde
O médico e escritor angolano Edgar Seque lança no próximo dia 10 de Setembro, na Universidade Católica de Angola (UCA), o mini-documentário “As Feridas de um Médico”, uma obra que pretende abrir a discussão sobre o lado invisível e emocional da prática médica no país. A exibição, que acontece no edifício Michael L. Kennedy a partir das 8h30, será acompanhada de um momento cultural e de uma mesa-redonda com especialistas, sob o tema “Cuidar em Angola: Entre o Dom e a Dor”.
O documentário, composto por episódios curtos e intensos, expõe dilemas frequentemente silenciados nos corredores hospitalares: “Os Médicos Também Choram”, “Nunca Me Vou Perdoar”, “Deixe-me Morrer, Doutor”, “Onde Estás, Deus?”, “O Nando Ressuscitou”, “Cancro da Mama”, “AVC” e “Suicídio”. Cada capítulo revela não apenas o peso clínico, mas sobretudo o fardo emocional que recai sobre os profissionais de saúde angolanos, muitas vezes confrontados com condições de trabalho adversas, recursos limitados e a exigência de decisões que afectam vidas em segundos.
Na mesa-redonda, participam Margarida Correia, pediatra e directora do Hospital Pediátrico David Bernardino, e Kanguimbo Ananás, psicóloga, ao lado do próprio Edgar Seque. A iniciativa quer sensibilizar a sociedade e as instituições para a urgência de integrar a saúde mental dos médicos e a humanização dos cuidados no debate sobre políticas públicas.
Para Edgar Seque, a obra é tanto uma denúncia como um apelo. “Os profissionais de saúde carregam feridas invisíveis que raramente são reconhecidas. É tempo de falarmos sobre quem cuida e sobre a necessidade de também cuidarmos deles”, afirmou em declarações prévias.
A apresentação contará ainda com uma actuação musical de Eduardo Camulandi, reforçando a ideia de que a medicina, tal como a arte, lida com a dimensão mais íntima da condição humana.
Com “As Feridas de um Médico”, abre-se em Angola um espaço de reflexão sobre empatia, saúde mental e o impacto silencioso do desgaste emocional dos profissionais. Uma discussão que toca não apenas o sector da saúde, mas toda a sociedade que depende dele.





